7 perguntas a Elsa Ruas e Isabel Lavadinho


Estou tão feliz! E sabem porquê? Porque finalmente consegui entrevistar as autoras do livro "Sei onde te encontrar Elsa Ruas e Isabel Lavadinho. Os nossos caminho cruzaram-se na Feira do Livro de Lisboa e logo me rendi à simpatia destas duas amigas de infância. Se as conhecessem, entendiam o que estou a dizer. Existem pessoas assim, que em menos de 5 minutos nos abraçam com o coração e com a alma. Desde esse nosso encontro que ficou a promessa de uma entrevista para o blog! 

Elsa e Isabel, hoje sei onde vos encontrar...❤ aqui, neste pequeno grande mundo que eu amo e que me realiza  o Armazém de Ideias Ilimitada. Grata por esta oportunidade!


7 perguntas a Elsa Ruas e a Isabel Lavadinho

1. Quem é a Isabel?

A Isabel é principalmente a mãe do Martín. Ser mãe é, sem dúvida, o papel que mais me preenche e o que mais me mudou. Mas, sou também esposa, filha, médica. Enfim, acontece-me o mesmo que a muitas mulheres hoje em dia, tenho uma multiplicidade de papéis que tento combinar e completar, com algum malabarismo diário. Às vezes não é fácil. Tenho uma profissão muito absorvente, que implica muita dedicação e o horário de um médico, especialmente de um médico internista, é extenso. Para além de exercer como médica internista, gosto imenso de dar formação na minha área e cada vez que posso e consigo, implico-me em processos formativos de outros profissionais de saúde. Mas, desde que o Martín nasceu, tentei diminuir o ritmo de trabalho, pois sei que o crescimento do meu filho é irrepetível e não me perdoaria perdê-lo. Mas isso não me impede de fazer outras coisas e como digo, tento combinar tudo. A literatura e a escrita fazem parte de mim desde sempre e confesso que, cada vez que posso, me escapo e isolo-me para conseguir escrever algumas linhas e voar um pouco para longe da realidade. Escrever equilibra-me.

2. Quem é a Elsa? 

É muito difícil uma definição racional e objetiva. A Elsa é alegre e comunicativa. É coragem, poesia, amor, luta e sonho. É impulsiva, teimosa e emocional. Acho que todos nós temos os dois lados da lua. O negro e a luz. Eu tenho a certeza que sou muito mais luz para quem me rodeia a nível profissional e também para os amigos e para quem amo. Quem ler o livro "Sei onde te encontrar" e, sobretudo, as pessoas que me conhecem sabem logo identificar a minha personagem. Não só pelo humor, como pelos traços contínuos de caminhar muito nas nuvens, como também pelo romantismo inveterado. Continuo a acreditar, aos 40 anos, que existe alguém que veio a este mundo para me encontrar e que um dia, quando menos esperar, Deus permitirá esse encontro. Sonho muito e desiludo-me também com alguma frequência. Mas sou, acima de tudo, uma pessoa muito frontal, amiga, honesta e que procura a verdade em si e nos outros. Nunca nos conhecemos por completo. É uma caminhada sempre em aberto. Por vezes, depois das quedas, dramatizo em demasia. Ultimamente, tenho tentado contrariar esta faceta mais rapidamente. No entanto, a verdade é que, para quem me conhece mais ao de leve, sou muitas vezes elogiada pelo meu sorriso sempre presente e pelo otimismo com que encaro o que me acontece e a coragem com que tento reagir perante as dificuldades. A verdade é que é uma leitura real: a seguir ao pranto, volto a ter coragem para sorrir. A escrita esteve sempre presente na minha vida. Desde antes da adolescência. É uma paixão que vem e vai com maior ou menor intensidade de acordo com as fases que estou a viver. Mas cada vez mais preciso de escrever. Para me encontrar.



3. Quando souberam que queriam escrever um livro em conjunto?

Isabel  A Elsa e eu sempre tivemos este sonho em comum. Somos amigas desde pequeninas, desde os nossos 3 ou 4 anos. Sempre brincámos juntas e nas nossas brincadeiras sempre inventávamos histórias intrincadas, com muito dramatismo à mistura. Não eram as típicas brincadeiras de meninas, criávamos sempre teatrinhos, disfarçávamo-nos imenso, maquilhávamo-nos, criávamos personagens, enfim... O sótão da minha casa tinha sempre roupas velhas, sapatos de salto alto que a minha mãe já não usava, mil e um disfarces e nós passávamos horas a inventar histórias. Algumas das minhas melhores recordações vêm dessa época. E já nessa altura dizíamos que algum dia íamos escrever um livro juntas. Depois crescemos, estudámos, começámos ambas a trabalhar, mas mantivemos sempre o sonho de escrever um livro juntas. Como é óbvio nunca encontrávamos o momento, era sempre difícil conciliar profissões, a vida, os desequilíbrios da mesma. Até que em 2014, um amigo nosso publicou um livro. Na altura, a Elsa tinha-me enviado um manuscrito que estava a escrever para eu ler e acabei por desafiá-la para começarmos a escrever o nosso livro. E assim foi. Decidimos que era o momento e em janeiro de 2015 começámos a escrever o nosso livro.


4. Como surgiu a ideia da história?

Elsa  A ideia deste livro surgiu de um rascunho em forma de diário que comecei a escrever em 2014 e que enviei à Isabel. Ela gostou tanto e emocionou-se de tal forma que me propôs o desafio: "Elsa, vamos começar a escrever o nosso livro. O tal que prometemos uma à outra, ainda na infância." Na altura, fiquei um pouco reticente, porque não me estava a sentir preparada para iniciar um projeto que exigisse tanto investimento pessoal. Para além de nem termos uma ideia definida sobre o que iríamos escrever. No entanto, o meu diário foi a inspiração para a ideia inicial do romance: e se inventássemos duas personagens, amigas de longa data, que, após muitos anos sem se encontrarem, começassem a escrever cartas uma à outra, contando por um lado aquilo que em que os anos as tinham tornado  mulheres de 40 e poucos anos   e por outro, servissem de consolo e conforto às suas vidas reais. E assim foi. A Isabel começou a primeira carta! 

5. Como decorreu o processo?

Isabel  Confesso que, pelo menos para mim, pensava que ia ser mais complicado. Foi incrível! Estava sempre desejosa de voltar a escrever. Implementámos um esquema de escrita semanal, uma semana uma, na semana seguinte a outra. E as personagens foram crescendo muito baseadas naquilo que era escrito na semana anterior. Como gosto tanto de dizer, foi um livro escrito à desgarrada, sem grande programação, escrito com o coração, ao sabor dos nossos tempos, vontades e sonhos. Pelo menos ao início. A meio do processo fiquei grávida e tínhamos de acabar o livro antes do Martín nascer, assim tivemos de ser disciplinadas e programar mais as cartas e os timings. Mas o processo criativo continuou a ser igualmente desafiante e motivador. Trocávamos ideias constantemente, mas deixávamos sempre uma ou outra surpresa. E o processo criativo foi assim, a mim pessoalmente fez-me crescer muito, equilibrou-me, fez de mim uma pessoa muito mais feliz. Contava os minutos para ler as cartas da Elsa e tinha uma alegria interior enorme nesses dias. Acho que o fugir para outros mundos, o sair da realidade diária e encarnar mentalmente personagens que são diferentes de nós, nos faz muito bem.

6. Já têm mais algum livro na forja?

Elsa  Queremos muito escrever um segundo livro. A verdade é que, por motivos pessoais e profissionais, achamos ainda não ser o melhor momento. Já existem algumas ideias. Pouco definidas. Mas será tudo muito espontâneo como o primeiro. O momento certo surgirá, porque eu e a Isabel, para além da enorme amizade que nos une, também temos em comum esta enorme paixão pela escrita e por sonhar acordadas. Inventar personagens é conseguir viver outras vidas. A escrita é um refúgio e uma oportunidade de nos evadirmos.




7. Que livro recomendariam ao nosso Clube de Leitura? E porquê?

Isabel  Um dos últimos livros que mais gostei de ler foi o "A culpa é das estrelas", do John Green. É um livro arrebatador. Fala sobre a crueldade e a injustiça da vida de uma forma muito ligeira. Para quem trabalha na área da saúde e já viu tantas vidas desaparecerem em segundos, é um livro com muito significado. Como digo, fala especialmente, de uma forma não muito pesada de como há coisas na vida que não controlamos, que nos calham na roleta russa da vida, da forma como enfrentamos esses factos, individualmente, cada um de nós, e o autor fá-lo com um sentido de humor que muito aprecio. Confesso que quando acabei de ler este livro pensei para mim que gostava de ter sido eu a escrevê-lo.

Elsa  "Amor em tempos de cólera", do Gabriel García Márquez. É, sem dúvida, um dos livros da minha vida. Porquê? Porque narra a história de um homem que só ama uma única mulher ao longo da sua vida. E, apesar da rejeição, ele mantém esse amor ❤️ (sem obsessão) e faz a sua vida à parte, mantendo-a sempre no pensamento. Até ter oportunidade de a poder conquistar. Para mim, é um livro que deveria ser lido por toda a gente nos dias de hoje, porque a maioria das pessoas deixou de acreditar no Amor e vive-se sobretudo em relações fúteis e banais ou desiste-se facilmente de alguém que nos é especial. Porque amar dói e é difícil. Porque somos invadidos pela sociedade que nos formatou para a ideia do prazer automático e de que devemos viver apenas virados para satisfazer o nosso umbigo. Por isso, há pouca dádiva gratuita e resiliência.




❤❤❤

Para terminar este post só queria dizer-vos que nestas férias de verão irei viajar através das cartas da Florinda e da Sónia. Num areal distante de uma praia mágica sei que as suas palavras serão o cenário perfeito para uns dias de tranquilidade. É bem provável que o livro "Sei onde te encontrar" seja o meu "amor" de verão ;)

Rosarinho

Fotos cedidas pelas autoras

5 comentários

SM disse...

Querida Rosária,

Adorei a forma como conduziste a entrevista e nos fizeste falar de nós e do nosso livro de uma forma tão natural e expontânea. A tua sensibilidade tocou--me. Obrigada pela oportunidade.

Sei onde te encontrar ������

Elsa Ruas

Armazém de Ideias Ilimitada disse...

Elsa :)
Fico muito feliz que tenhas gostado do resultado final. Como disse no post, desde o primeiro momento senti que vocês eram pessoas muito especiais. Adorei que tivessem surgido na minha vida. Sei que ainda nos vamos encontrar muitas vezes! Beijinhos

Isabelavadinho disse...

Adorei Rosária! Muito obrigada pela entrevista, foi um autêntico prazer conhecer-te e termos partilhado ideias. Acredito piamente que a Vida facilita o encontro de pessoas com interesses e almas compatíveis. A empatia foi, sem sombra de dúvida, mútua. Beijinhos enormes.

Armazém de Ideias Ilimitada disse...

Isabel :)
Tão bom saber que gostaste do resultado final! Adorei conhecer-te! Acredito muito que energia atrai energia. Os nossos caminhos tinham mesmo de se encontrar.
Beijinhos

Anónimo disse...

Gostei muito de ler a entrevista, Elsa e Isabel desejo-vos o maior sucesso! Elsa admiro-te por seguires com os teus sonhos! Beijinhos
Margarida Pereira

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