Cada Porta uma História



Numa terra, não muito distante, onde o tempo passa devagar existe uma porta que que se destaca no casario. Nesta terra onde o céu é palco de uma dança de aves constante, existe uma porta que me deixa curiosa e que cativa o meu olhar. Ao longe ouvem-se as águas do rio que refletem o dourado de outros tempos. A porta, à minha frente, reflete as cores do fim de tarde. Toquei-lhe e senti os anos que por ela passaram, as mãos que a tocaram, a chuva que a molhou e o vento que a fustigou. Fechei os olhos e ouvi-a. Contou-me histórias de amor, de ciúme, de traição. Falou-me dos filhos da terra que viajaram para outros mundos. Chorou de saudade dos dias em que a aldeia fervilhava de pessoas felizes. Confidenciou-me segredos dos famosos da terra. Sorriu-me e agradeceu-me por aquele momento especial. Abri os olhos e anoitecera. No céu uma lua de prata iluminava o caminho de pedra e no ar o cheiro a uma sopa quente, reconfortante. Desci a rua, a brisa da noite a tocar serenamente o meu rosto. Entrei no carro e senti-me profundamente agradecida por aquele momento mágico. Deixei a aldeia onde o tempo passa devagar e voltei para a intensidade dos meus dias. No meu baú de recordações guardei todas as histórias para a elas voltar quando a saudade bater à porta...

Rosarinho



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