A sério? Isto foi nos anos 90?, by Ricardo Dinis


Chegados ao décimo post sobre os anos 90, é altura de me despedir de vós. Não. Não irei deixar de escrever mensalmente para o Armazém de Ideias Ilimitada, mas os meus posts passarão a incidir sobre uma nova temática. Tal como um jogador de futebol, acho que nos devemos despedir quando ainda estamos em boa forma! Foi um prazer reviver a minha década preferida, como será a de qualquer pessoa que passou a sua infância/adolescência por cada uma delas. O saudosismo marcou de forma indelével as minhas opiniões. Chegou a hora de refrescar. Irei abordar uma nova temática, a anunciar em breve.

A todos os que acompanharam esta aventura, quero agradecer pelos minutos que dedicaram a ler-me. Espero que se tenham rido, descontraído, revivido, ou ficado a conhecer um pouco melhor a cultura pop dos anos 90.

O último post será sobre um produto que fez furor na segunda metade dos anos 90: o Bip da Coca Cola.

Quando os telemóveis ainda eram demasiado caros e as assinaturas mensais, ainda mais, comunicávamos de forma diferente. O clássico telefone fixo de casa dos pais era o principal canal de comunicação. Era sempre um pouco embaraçoso, porque este aparelho estava habitualmente no espaço comum da casa, a sala, o que retirava muita privacidade quando queríamos ter conversas mais íntimas com amigos, amigas ou namorada(o)s. Todos os que viveram nessa época se lembram do outro lado da linha atender um dos pais dos nossos amigos e lá tínhamos nós que repetir, vezes sem conta: Olá, tudo bem? É o Ricardo, o Pedro está?

A nível da comunicação escrita via web, o mIRC, criado por Khaled Mardam-Bey, em 1995, é o grande antecessor do Messenger e do Whatsapp. Foi a primeira vez que tive acesso a comunicar online com milhares de pessoas de forma imediata. Esta plataforma permitia a entrada fácil no IRC (Internet Relay Chat) e até a partilha de ficheiros.

Como naquela década não tínhamos internet a não ser nos nossos PCs, 386 ou 486, precisávamos escrever offline. É nesse contexto que surgem os bips. Aparelho muito usado pelos médicos nos hospitais para comunicarem de forma rápida, através de mensagens alfa numéricas. No fundo, o bip era como um walkie talkie de longo alcance, mas com linguagem escrita. Ligávamos para um número e transmitíamos a mensagem, que o destinatário recebia por escrito. Na maior parte dos casos ou usávamos as mensagens predefinidas ou deixávamos o número para o qual queríamos ser contactados, tendo depois o nosso interlocutor de ir a uma cabine telefónica para efectuar a chamada.

Quando a Coca Cola lançou uma campanha em que juntando as anilhas das latas ou as tampas das garrafas ganhávamos um bip, foi a loucura total. Acho que nunca bebi tanto aquele refrigerante e instiguei amigos, familiares e conhecidos para guardarem as preciosas tampas, que permitiriam obter o tão almejado bip.

Após receber o aparelho e a excitação inicial de ter um gadget que na altura estava na moda e até era high tech, confesso que a utilidade do mesmo se revelou bastante diminuta e acabei por usá-lo muito poucas vezes…

O telefonema e a combinação do local e hora de encontro, subsistiu durante bastante tempo, até ao momento em que os telemóveis dispararam em força e as SMS vieram substituir esta tecnologia, considerada agora medieval.

É verdade, as coisas eram assim nos anos 90 e não foi há assim tanto tempo!

Ricardo Dinis




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