Ainda Elvas... O Forte da Graça



Elvas acordou com um véu de neblina adivinhando uma manhã fria e cinzenta. Lá em cima escondido do nosso olhar erguia-se o inexpugnável Forte da Graça. Subimos acreditando que o sol seria nosso companheiro, aquecendo o vento que teimoso gelava as mãos. À nossa espera estava Nuno Franco Pires, amigo, escritor e Elvense de gema. O desafio para esta visita, especial, partira dele. Uma visita única, porque seria possível descobrir locais que habitualmente não estão acessíveis ao público. Uma visita única porque foi guiada por um especialista na história deste Forte, o Rui Jesuino. Que anfitrião! Conhecedor de cada momento da vida desta grandiosa construção, levou-nos por séculos de batalhas, levou-nos na magia de estórias de outros tempos que fizeram de nós o que somos hoje. Orgulhoso da sua terra e das suas gentes, acompanhou-nos numa aventura de três horas. O sol abriu e aqueceu-nos as mãos porque o coração já aquecera com o entusiasmo de descer as escadarias até à Fonte do Marechal. Considerada uma das "mais poderosas fortalezas abaluartadas do mundo" o Forte da Graça teve na sua essência o Conde Lippe, autor do projeto inicial. Com 144 bocas de fogo este monumento era o terror do inimigo e resistiu heroicamente a inúmeros ataques. Homens e Forte numa simbiose perfeita. A arquitetura militar, a coragem, a resistência, o acreditar fizeram deste forte a construção perfeita! Foi uma visita riquíssima acompanhada pela beleza do espaço, pelas conversas paralelas, pelas explicações apaixonadas de Rui Jesuino. Galerias de tiro, reduto central, fosso, contraminas, casa do governador e cisterna... Foi um sobe e desce de escadas claustrofóbicas, foi um percorrer as casernas estreitas onde os militares passavam horas, dias, meses... Onde muitos escreveram cartas às suas amadas. E hoje em pleno século XXI revisitamos estas vidas com admiração. O Forte da Graça um exemplo da arquitetura militar do século XVIII ficará para sempre na minha memória por tudo o que aqui já foi dito. Parabéns à Câmara Municipal de Elvas pela iniciativa e por valorizar o seu património. Obrigada, Nuno, pelo desafio. Foi, sem dúvida, o momento alto da minha passagem pela cidade de Elvas.

Rosarinho














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