Um Pouco de Tudo, by Aldy Coelho



A evolução do samba

Na minha última crônica, eu falei sobre a capoeira, um mundo totalmente novo que entrou em minha vida, e estou descobrindo cada dia mais. Hoje, vou falar de outra manifestação cultural originada da capoeira e da cultura africana, que tomou contornos brasileiros e hoje é reconhecida no mundo todo: o samba!

Isso mesmo. Não há nada mais brasileiro do que o nosso samba! Assim como o nosso povo, o samba é uma mistura de tradições, ritmos e etnias que faz dele um som único. Ele é considerado o símbolo da cultura brasileira, nos faz ser reconhecidos em todo o mundo e, em 2016, completa cem anos.

Com uma raiz que mistura a tradicional cultura indígena das danças de roda, do batuque e da ginga africana, com seus acordes e instrumentos de percussão, já não há como separar o samba do Brasil! E foi sobre esse tema que apresentamos, em forma de teatro, toda a evolução do samba para cerca de 1,5 mil pessoas no último Encontro Nacional do Grupo Capoeira Brasil, em São José dos Pinhais.


Resgatando a origem do samba, que nasceu na Bahia e se desenvolveu em diversas regiões do Brasil, por onde passou, o samba ganhou características diferentes, assim como o povo brasileiro. Como a capoeira, que nasceu para dar espaço para as manifestações africanas aos escravos no Brasil, no século XVIII também nasceu o samba, originado do batuque, luta de destreza corporal vinda de Angola.

Na Bahia, do batuque e de seus instrumentos musicais, fez nascer o samba de roda ou também conhecido como samba de umbigada. Esse estilo musical teve como inspiração o semba, um estilo musical popular de Angola que significa umbigada. Por esta razão, o nome samba se popularizou para descrever esse ritmo que extrapolou fronteiras e ganhou outras características em cada região brasileira.

Vindo com os escravos da Bahia para o Rio de Janeiro, já no século XIX, o samba carioca ganhou outros elementos, influenciados por ritmos como a polca, o maxixe, o xote e até pelo americano jazz. Também surgiram as marchinhas de carnaval com a grande Chiquinha Gonzaga, até que em 1917, numa roda de samba, foi gravado, oficialmente, o primeiro samba brasileiro, chamado “Pelo Telefone”.

E o samba não parou mais! Com o advento do rádio nas décadas de 20 e 30, o samba conquista o mercado fonográfico, alcança a classe média e transforma grandes nomes como Noel Rosa, Ari Barroso, Francisco Alves E Carmem Miranda, em grandes ídolos do samba!



Depois disso, surgiram diversos tipos de samba, entre eles, o tão famoso o samba-enredo, canções criadas para os grandes blocos de carnaval e que deram origem às tradicionais escolas de samba. O estilo tem como fonte inspiradora um fato histórico, literário ou biográfico. É o tema do samba-enredo que dá o tom do desfile em suas cores, alegorias, adereços e evoluções.

E em cada década, o samba renasce de formas diferentes! A influência americana nos anos 50 fez nascer a Bossa Nova, tão conhecida internacionalmente. Já na década de 60 é a vez de ressurgir o samba tradicional, de raiz, com sua batida tradicional. Nos anos 70, o samba é revalorizado e volta à cena musical tendo como foco o samba de partido alto, que nasceu nas rodas de samba das tias baianas nos morros cariocas e cultivado pelos sambistas de “alto gabarito”.



O samba se moderniza, cria novos ritmos, mas nunca perde suas raízes. E de tempos em tempos, o samba renasce, com alguma diferença, vindo de São Paulo, Rio de Janeiro, da Bahia, ou de qualquer lugar desse país, mas sem deixar de ser o nosso samba!

O samba é sinônimo de brasilidade, faz parte da nossa identidade e da nossa história. É por isso que, no Brasil, tudo acaba em samba, e sabem por quê?  “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça, ou doente do pé...” já cantava o sábio cantor e compositor baiano Dorival Caymmi!





ALDY COELHO

(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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