Uma "cósmica refém" de Miguel Araújo e António Zambujo



Dois homens. Duas salas. 17 concertos. Praticamente todos esgotados. Acontece que estes não são dois homens quaisquer. São Miguel Araújo e António Zambujo! O primeiro é um homem do Norte! O outro vem do Alentejo profundo! E o que acontece quando estes dois "mundos" se juntam é um verdadeiro privilégio! Eu senti-me uma "cósmica refém" por assistir a um dos concertos (fui logo no primeiro) desta verdadeira maratona de espetáculos, porque acredito ter estado diante de dois dos (senão "Os") melhores músicos, compositor e cantor do atual panorama musical português. É claro que os gostos são discutíveis, mas o talento destes dois senhores é inegável! Não vou estar para aqui a maçar-vos com descrições do alinhamento, a dizer "cantaram esta, aquela e mais a outra", porque isso cabe à imprensa especializada. Prefiro antes dizer-vos o que senti. E o que senti é ao mesmo tempo muito fácil de explicar, mas também difícil, porque há sensações e momentos tão nossos que são indescritíveis. Por isso, conto-vos o mais fácil de pôr em palavras. 


Pareceu-me que estávamos numa sala de estar, lá de casa, com um grupo de amigos em que dois deles "até" têm talento para tocar e cantar umas coisas e, além disso, são divertidos. Muito divertidos. Entre uns acordes e outros, de músicas já bem conhecidas de um e de outro (algumas cantadas pelo outro), contaram-se histórias de como a música entrou nas suas vidas, disseram-se e fizeram-se piadas (Miguel Araújo pôs António Zambujo a tocar guitarra elétrica!!!), ouviram-se cantares alentejanos remetendo às origens de Zambujo (Miguel Araújo brincou com o facto de na sua terra não haver uma música tradicional portuguesa, por isso, as suas origens levaram-no a brindar-nos com alguns acordes de Bob Dylan), viajou-se até ao país vizinho ao som de Chico Buarque (e sim, cantaram a sua versão de "No Rancho Fundo"), contaram-se mais piadas e também se chamou "brutos" e "animais" aos homens (menos aos maridos das outras, claro) ao som do ukulele. Uma delícia! Afinal, estávamos com uns amigos numa "sala de estar" todos a cantar! Pelo menos, foi o que me pareceu! Se Miguel Araújo nos brinda com um repertório de composições brilhantes, com cada palavra cantada, soletrada e sentida no lugar certo, António Zambujo tem uma voz que enche a alma de quem o ouve, que nos toca cá dentro. Muito sinceramente, posso dizer-vos que saí do Coliseu de Lisboa de alma e coração cheios, com a certeza de ter tido o privilégio de estar perante dois talentos gigantes da música nacional!

Susana Figueira

Um outro privilégio: Partilhar a plateia com a minha mãezita e com uma outra grande voz (do Fado) nacional – a Mariza!


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