Smile It's Free, by Teresa

Vestido Verde- dezembro 2015

Há cerca de dois anos mudei a minha vida. Mudei-a em vários aspetos. Terminei um negócio que, apesar de gostar muito, não me deixava feliz o suficiente para continuar com ele, e mantive outro negócio com o meu irmão. 

Esse mês de novembro/2013 foi um mês de viragem na minha vida. Fechei um ciclo e comecei um outro, com novos desafios, novas conquistas e que, até ao momento, tem corrido lindamente. 

Na altura estava numa espiral negativa, nada me corria bem. Tive desilusões amorosas, desilusões com amigos, problemas profissionais. Enfim, várias coisas que me faziam só ficar mais negativa e com isso ainda atraía mais negativismo. Tudo isto fez com que deixasse de cuidar de mim, de cuidar das minhas coisas. Cheguei a uma fase na qual só comia porcaria, não tinha horários de refeições, não queria sair de casa - a não ser para trabalhar. Tudo isto fez com que, nesse mês de nov/2013, se fizesse um click na minha cabeça. De um momento para o outro parece que acordei de um estado adormecido e apático, no qual não sei muito bem quanto tempo estive, e comecei a fazer pela vida. 

Nesta altura o meu irmão começou a desafiar-me para ir correr com ele. Eu?! Correr?! Baleia como estava?! Não faço ideia de quanto pesava sequer nesta altura, mas estava gorda! Muito gorda. Ao fim de algumas tentativas lá fui com ele, enquanto ele correu o paredão de Carcavelos a Paço d'Arcos ida e volta, eu devo ter andado 1km ou 2km. Nem sei explicar o que sentia, tinha dores nos pés, nos tornozelos, nas pernas. Basicamente tinha dores no corpo todo e custava-me a respirar. Nesse dia decidi que ia começar a mexer a bunda com regularidade e foi assim que a corrida - numa fase inicial as caminhadas - surgiu na minha vida. 

A minha primeira caminhada foi na Corrida do Sporting, em Dez.2013. O meu irmão correu 10km e eu caminhei 4km. Um feito, para uma pessoa que tinha dores em tudo, mas no fim consegui e era isso que eu queria. Chegar ao fim e saber que na próxima caminhada me iria custar um bocadinho menos. 


Corrida do Sporting - dezembro 2013 

Assim continuei com as caminhadas e com uma alimentação mais cuidada até maio/2014, altura em que me inscrevi no ginásio - local que não frequentava desde os 16 anos talvez. Há 13 anos que não punha os pés num ginásio. Não que considere que seja necessário uma pessoa ir ao ginásio, mas fazer desporto é importante, no ginásio, em casa ou na rua. O ginásio apenas abriu um julho, altura em que comecei mais a sério esta luta. Foi nessa altura que conheci o personal trainer que me acompanha até hoje. Foi uma adaptação difícil. Ficava dois e três dias com dores musculares, com vontade de não me mexer sequer um milímetro. Tive altos e baixos, alturas em que era super certinha e conseguia obter imensos resultados, mas também tinha alturas em que me desleixava um bocado, vícios ainda antigos. A partir de jan/fev/2015 já tinha ultrapassado as dificuldades e a vontade de desistir que volta e meia me assaltava. 

Em abril/2015 comecei a ser seguida por uma nutricionista que me ajudou a corrigir alguns erros que ainda cometia, mas muitos deles já tinha alterado ao longo do ano anterior. Foi a partir daqui que comecei a ter mais motivação e mesmo com alguns resultados não tão bons nunca desisti. Há alturas mais fáceis e alturas mais complicadas. 

Em junho/2015 inscrevi-me na minha segunda corrida de 10km (a primeira tinha sido em maio/2014) que correu bem pior do que a primeira. Passei mal durante a corrida, estava 35º às 17h da tarde em Lisboa. Era difícil respirar, sentia-se o chão a ferver. Desta corrida saí com uma mazela, fiquei com dores horríveis na anca. Aqui pensei que nunca seria capaz de correr 10km e, durante muitos meses sempre que tinha de correr no ginásio - obrigada pelo PT - fazia uma fita. Em outubro decidi arriscar e correr na rua. Corri 5km, sem muito esforço, sem muita dificuldade. Na altura fiquei admirada, mas pensei sempre que todo o treino que fazia no ginásio estava a compensar. E compensou. 


Corrida dos Faróis - maio 2014

Corrida dos Faróis - Maio 2014 

Corrida Sto. António - junho 2015 

Depois disto continuei apenas nos treinos no ginásio. No final dos treinos corria um pouco, mas sempre distâncias curtas. Já estava tão cansada do treino que normalmente já estava em modo rastejar. 

A 26 de dezembro decidi arriscar e inscrevi-me nos 10km da São Silvestre de Lisboa. 6 meses após ter participado na fatídica Corrida de Sto. António. Fui para a corrida tranquila, sem expectativas. Tinha estado doente, ainda estava com tosse. Nunca tinha corrido mais de 5km seguidos e nos últimos dias, por ter estado doente, não tinha feito treinos muito intensos, portanto sempre pensei que ao fim de 2km estava arrumada e ia a caminhar até ao fim. E os km iniciais quase me provaram isso. À chegada ao 2ºkm comecei com dor de burro e com a tal dor na anca. Pensei: "Teresa, tu és capaz de correr 5km!". E continuei. Entre o 3º e o 4ºkm a minha tia passa por mim e, talvez o facto de perceber que só estava a ser ultrapassada naquela altura, fez-me perceber que afinal não estava a correr-me assim tão mal. A partir daí foi sempre a somar. Fiz o 4º, o 5º, o 6º e o 7ºkm na maior, a ouvir músicas de Natal, a cantar (entretanto passou a dor de burro) e a conversar com quem passava e por quem ia passando. Quando passei a Praça da Figueira percebi que, finalmente, ia ser capaz de fazer aquilo. Só me faltava subir e descer a Avenida da Liberdade. E não podia ser assim tão difícil. Tenho a ideia de que devo ter demorado talvez uns 10 minutos a subir até ao Marquês. Ia praticamente a andar. Ou a correr devagar, como acharem melhor. A partir do Marquês vim a abrir, afinal ainda tinha forças e se calhar conseguia ter feito melhor tempo. Mas naquela corrida só queria correr tudo. Só queria chegar ao fim e correr os 10km inteiros. Sem parar. Não parei. Não fui a andar nem 1 metro. Fui sempre em passo de corrida. E fiz a corrida da forma como deve ser: de trás para a frente. Fui devagar até me habituar à respiração, ao frio, ao calor, às pessoas e até adormecer as pernas. Depois fui sempre a subir e se não tem sido aquela Avenida da Liberdade tinha feito um tempo espetacular. 7m30s não é um tempo espetacular, mas é o tempo que fiz por km, mais ou menos. Há dois anos atrás deveria caminhar 1km em 12/13m. Portanto acho que é uma grande vitória. Acredito que corri não só com as pernas, corri com o coração e corri para provar a mim mesma que conseguia. Consegui. E estou tão orgulhosa. Só quem corre sabe o que se sente. Corre-se para ser feliz. Corre-se para nos sentirmos bem. Corre-se para desanuviar. Corre-se porque correr é uma das melhores coisas do mundo. 


 Brasil - agosto 2015 


Corrida São Silvestre de Lisboa - dezembro 2015 

E podia dizer que todo este caminho foi fácil, mas não foi. Foi muito difícil, quis desistir muitas vezes, mas tive a sorte de me ter cruzado neste caminho com pessoas que me motivam todos os dias e que apostaram em mim. A essas pessoas nunca conseguirei agradecer o suficiente. Preocupam-se, motivam-me, dão-me na cabeça, apoiam-me nos maus momentos, fazem a festa quando alcanço algum objetivo. Obrigada. Sem vocês teria ficado pelo caminho certamente. 

Venha a próxima!
Teresa

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