A Sério? Isto foi nos anos 90? - by Ricardo Dinis


Nos últimos posts tenho sido apologista da comunicação tal como era nos anos 90, qual cavaleiro defensor da língua, de relações mais próximas e autênticas. Para que não padeça de enviesamento excessivo e de lentes com um zoom demasiado retrogrado, hoje decidi escrever sobre as mais valias das redes sociais.

Recentemente vi uma reportagem sobre uma ajuda voluntária aos refugiados sírios, feita por portugueses. É sobejamente conhecida, tendo passado em diversos mídia e redes sociais, chama-se Aylan Kurdi Caravan. Basicamente resume-se a um grupo de pessoas que face à barbárie que se está a passar na Síria, deixando desalojados milhares de seres humanos, decidiu agir! Em boa hora o fizeram pois conseguiram em tempo recorde enviar para a Croácia, onde com a ajuda da Cruz Vermelha e ONG locais distribuíram milhares de artigos, desde roupas a alimentos. Bem hajam!

Esta ajuda foi organizada precisamente através do Facebook, sobre o qual tenho sido algo crítico nesta rubrica. Tenho de reconhecer que a facilidade de acesso e a possibilidade de chegar num ápice a milhares de pessoas é uma enorme vantagem desta rede. A Aylan Kurdi Caravan conseguiu apenas num dia divulgar a sua mensagem por milhares de pessoas, obtendo meios humanos num curtíssimo espaço de tempo, o que lhes permitiu, através de centenas de voluntários angariar todo o material que precisavam para enviar esta preciosa ajuda aos refugiados sírios.

Se esta mesma gente quisesse dar o seu apoio a tão nobre causa na década de 90, demoraria muito mais tempo, gastaria muito mais dinheiro e recursos para chegar ao mesmo número de pessoas. O trabalho que foi feito em menos de um mês, poderia demorar 3 ou 4 vezes mais e assim perder-se o timing do apoio e deixar ainda em maior sofrimento milhares de pessoas.

Foi graças a esta forma de comunicação tão rápida e tão global, que anteriormente, em contextos diferentes critiquei, se conseguiu um feito de tamanho relevo, pois fomos o primeiro país a levar ajudar aos refugiados, o que, ainda que apenas momentaneamente, os fez sorrir e acreditar num futuro melhor.

Confesso que não participei nesta campanha, mas ao ver a reportagem da TVI, no meio de um governo que não se forma, de uma austeridade que teima em manter-

se, numa economia que se recusa a recuperar, de Ricardos Salgados, Josés Sócrates e outros que tais, senti orgulho em ser português!

Estou a imaginar-me a tentar contactar todos os meus amigos através de telefone a pedir para que cada um contribuísse para esta causa, se calhar ao fim de uma semana tinha apenas uns kg de roupa e comida. A verdade é que a internet e as redes sociais permitem chegar a milhares de pessoas em meros instantes e isso, como neste caso, tem mais valias enormes e permite concretizar projetos, sejam de cariz social ou não em tempos verdadeiramente vertiginosos, completamente impossíveis de realizar há 20 anos atrás…

É verdade as coisas eram assim nos ano 90 e não foi há assim tanto tempo!

Ricardo Dinis

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