Um Pouco de Tudo, by Aldy Coelho

Fábio e Aldy com um dos grandes Mestres da Capoeira

Eu sou movida pela capoeira!

Há pouco mais de um ano, eu fui acompanhar meu marido em seu batizado de capoeira. E confesso, não era muito afeita a ela. Quando ainda morávamos em Taubaté, ele já praticava esse esporte lá. Inúmeras vezes, ele me chamou para acompanhá-lo. E eu, resistia. A cada vez que assistia a uma aula ou ia a algum evento, pensava “o que leva as pessoas a passar tantas horas jogando capoeira sem parar?”

Aliás, vocês sabem o que é capoeira? Bom, vamos às explicações: De acordo com o site Wikkipedia, a capoeira é uma expressão cultural brasileira que mistura esporte, luta, dança, cultura popular e música. De origem afro-brasileira, essa manifestação incorpora movimentos de luta, acrobacias, dança, percussão e músicas, num diálogo rítmico de corpo, mente e espírito.

Foi criada por escravos africanos trazidos ao Brasil e desenvolveu-se principalmente na Bahia, difundindo-se, posteriormente, por vários estados brasileiros. É caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando primariamente chutes e rasteiras, além de cabeçadas e joelhadas.


A terminologia é originária do tupi-guarani e refere-se às áreas de mata rasteira do interior do Brasil. Foi sugerido que a capoeira tenha obtido esse nome a partir dos locais que cercavam as grandes propriedades rurais de base escravocrata.


Até 1940, a capoeira era proibida e considerada crime. Desde novembro de 2014, a capoeira tornou-se reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade. Hoje em dia, a capoeira se tornou não apenas uma arte ou um aspecto cultural, mas uma verdadeira exportadora da cultura brasileira para o exterior.


E como foi que eu aprendi tudo isso? Treinando capoeira, ora essas! Nesse mesmo dia, há pouco mais de um ano, quando acompanhei meu marido em seu batizado na capoeira – é assim que se denomina a primeira vez que você é graduado na capoeira, ou seja, pega a primeira corda/cordão que será amarrado na cintura do jogador e, de acordo com cada grupo, pode ter cores específicas para diferentes níveis de aprendizado.


Quando fui apenas acompanhá-lo, percebi que este não era um esporte apenas para homens, ou para esportistas de alta resistência. Ali, após o batizado e troca de cordas para aqueles que já evoluíram de nível, havia crianças, mulheres de todos os tipos físicos e pessoas mais velhas. Me surpreendi com uma senhora, no auge de seus mais de sessenta anos, feliz por ter trocado de corda.


Nesse momento, eu percebi que a capoeira é um esporte agregador, e que vai além de uma prática esportiva, pois é uma mistura de dança, de ginga, em que é preciso ser esperto o suficiente para atacar com precisão e se defender dos golpes de seu parceiro. Mais que isso, ele é uma troca de conhecimento, de aproximação com o ser humano, uma manifestação cultural carregada de história, que te ensina a usar o corpo e a mente para se aproximar ou se defender do ser humano.


Foi quando pensei, “por que não tentar?” E, na semana seguinte, lá estava eu, superando os meus próprios limites físicos e de pré-conceitos para abrir a mente e me inundar, de corpo e alma nessa expressão artística. E assumo, não foi fácil. É preciso muita força nos braços, nas pernas e no abdome para utilizar o seu corpo como única arma.
 Aldy na Capoeira
  Evento Nacional de Capoeira


 Fábio e Aldy com grandes Mestres da Capoeira
Instrumentos como o berimbau, atabaque e pandeiro dão o ritmo para o jogo de Capoeira
Ainda preciso me dedicar um pouco mais se quiser alcançar as graduações, que vão de aluno iniciante, intermediário, estagiário, graduado, instrutor, professor, formando e formado/mestre, que é o mais alto grau da capoeira. O grupo Capoeira Brasil, do qual hoje faço parte, usa para definir as graduações as cores da bandeira brasileira e suas variações.

Enfim, neste ano fui eu quem pude receber a minha primeira corda e ser batizada como aprendiz de capoeira. Já o marido, evoluiu mais um nível e trocou a cor de sua corda. Na abertura desse grande evento, que reuniu grandes nomes da capoeira no Brasil, fizemos uma apresentação especial, contando a história do samba que, assim como a capoeira, nasceu para dar corpo e espaço para as manifestações africanas aos escravos no Brasil, no século XVIII.


Mas, sobre a história do samba, eu vou deixar para a próxima postagem!

Aldy Coelho
aldycoelho@gmail.com

(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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