Um pouco de Tudo, por Aldy Coelho




Irlanda, seus símbolos e história

Ora ou outra eu me deparo com alguma coisa que me faz lembrar a fria e nublada Irlanda... Como tenho alguns amigos ainda por lá, sempre tenho notícias do país e da vida por lá que, como antes, não costuma ser fácil para os brasileiros. Seja pelos costumes diferentes, das dificuldades com a língua, com o clima, ou mesmo com a adaptação à vida de imigrante, ainda assim o país continua me seduzindo.

De tudo o que vivi por lá, o que mais me marcou foi o aspecto cultural daquele frio país, seus costumes, histórias e, até mesmo, um estilo de vida despojado, alegre, e com muita, mas muita cerveja. Sem falar na sua literatura clássica, que vai de Oscar Wilde a Samuel Beckett, e a magnífica dança, de encantar e encher os olhos de lágrimas. Queria dividir com vocês um pouco das curiosidades e histórias da ‘ilha esmeralda’, assim, eu também mato um pouquinho as saudades...

O leprechaun – Sabe aquele duende que fica no fim do arco-íris guardando o pote de ouro? Mora lá na Irlanda! Ele faz parte da lenda irlandesa (algo como o nosso saci) e é conhecido como um homem pequeno, com roupas verdes, bigode, olhar simpático e um cachimbo na boca. São conhecidos por serem os sapateiros das fadas e são bem pequenos, com 30 ou 50 cm. Os leprechauns são considerados guardiões ou conhecedores de vários tesouros escondidos. Para conquistar tais tesouros deve-se capturar um leprechaun e nunca perdê-lo de vista. Caso contrário, ele desaparece no ar. Costumam ser bons, porém, gostam de pregar peças. A crença é tanta que existe um museu inteiro dedicado a eles, o National Leprechaun Museum.

O ‘shamrock’ ou trevo de três folhas – É um dos símbolos da Irlanda. A palavra inglesa 'shamrock' é a derivação do termo irlandês 'seamróg', que significa "pequeno trevo". Esta plantinha comum na ilha foi usada por São Patrício, que converteu o povo irlandês ao catolicismo, explicando através de suas folhas o conceito da Santíssima Trindade. O povo, que até então mantinha a religião celta, foi convertido ao cristianismo, que se tornou a religião oficial do país.
A harpa – Instrumento tradicional dos bardos e poetas da Irlanda, sempre esteve intimamente ligado ao passado celta da Irlanda, que sempre foi independente. A harpa foi banida durante a dominação britânica, num período em que era comum as harpas serem queimadas e harpistas serem executados. A primeira bandeira irlandesa era verde com a harpa dourada no centro, que simbolizava a da luta dos irlandeses majoritariamente católicos contra os ingleses protestantes. Esta guerra durou décadas, sacrificou muitos irlandeses e, com o seu fim, foi adotada a atual bandeira tricolor, com o verde simbolizando a Irlanda, o laranja remetendo aos ingleses e, no meio, o branco representando a paz entre os povos.


O “Saint Patrick’s Day” – Todos os anos, no dia 17 de março, é comemorado o dia do padroeiro da Irlanda. Além das comemorações eclesiásticas, ocorre uma grande parada na sua capital, Dublin. Imagine uma mistura de Dia 7 de
setembro, Dia de Nossa Senhora Aparecida e Carnaval. É exatamente isso o que acontece: desfiles de grupos fantasiados, carros alegóricos, bandas, pessoas vestindo as cores da bandeira e, claro, regado à muita bebida. Afinal, este é o único dia em que é liberado tomar bebida alcoólica nas ruas.


Os pubs irlandeses – É uma abreviação de Public House, são tipicamente decorados e socialmente frequentados até para reuniões familiares, encontro de amigos, pessoas que vão assistir aos tradicionais jogos de rugby ou futebol gaélico (um esporte que, em minha opinião, é uma bagunça só, mas eles amam), ou somente beber, e isso já é um bom motivo para se visitar um pub. A região mais famosa de Dublin, e a que concentra os mais famosos e frequentados pubs, é conhecida como "Temple Bar", um local sempre muito movimentado e repleto de turistas de todo o mundo.



O café da manhã – Este cardápio é só para os fortes ou aqueles que não têm problemas com a balança. Um prato composto de linguiça, linguiça tipo chouriço, bacon, ovos, feijão, tomates e torradas, acompanhados por café, chá ou suco de maçã. Com essa refeição toda, quase não sobra estômago para o almoço que, normalmente, é substituído por um sanduíche. Minha consciência não me deixou comer bacon e linguiça pela manhã por toda a minha temporada lá.
A música e a dança irlandesa – A batida é inconfundível e a vontade de sair dançando é imensa, mas só os realmente bons conseguem. A mistura de violão, flauta celta, violino, harpa e um instrumento de percussão típico do país chamado bodhrán, criam uma harmonia acústica perfeita, uma batida característica, que te remete às velhas tabernas de filmes históricos, e te faz dançar mesmo que involuntariamente. Quase todos os pubs têm grupos tocando ao vivo e, ocasionalmente, com dançarinos. Já a dança irlandesa, para quem não sabe, é a origem do nosso conhecido sapateado. Foi criada no século XV, quando os camponeses usavam sapatos de solados de madeira que ajudavam a aquecer os pés e tinham como distração “brincar com os ritmos” que os solados faziam no chão. O sapateado irlandês sofreu diversas influências dos celtas, nômades e ingleses. O “Erich Jig” (gingado irlandês) exige de seus bailarinos um rápido e complexo trabalho dos pés, com os braços próximos ao tronco, e a parte superior do tronco quase que imóvel. O grupo mais famoso de dança irlandesa é o “Riverdance”, que apresenta seus espetáculos por diversos países. Quem tiver a oportunidade de assistir, vá! É incrível..


Particularmente, eu ainda volto para visitar esse lugar...

Aldy Coelho
aldycoelho@gmail.com
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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