Mar de Vítimas e Heróis

    Foto: José Carlos Carvalho

O fotojornalista José Carlos Carvalho viajou até Lampedusa. A sua missão não foi fácil. Ao serviço da Revista Visão, embarcou no Navio Português, Viana do Castelo, que integrava a Operação Triton (a cargo da União Europeia), comandada por Itália e que reunia vários meios de salvamento para responder aos pedidos de auxilio dos  imigrantes, "enlatados", nos botes largados à deriva num mar imenso de perigos e esperanças.

Durante o período que José Carlos Carvalho esteve a bordo do Viana do Castelo assistiu e registou, com a sua câmara fotográfica, o salvamentos de dois botes com imigrantes vindos do Senegal, Mali, Eritreia...  O primeiro salvamento foi às três horas da madrugada. Desde o momento em que suou o pedido de ajuda, até encontrarem os 89 imigrantes, passaram oito horas. Encontrar um bote não é tarefa fácil. Doze horas depois o Fotojornalista assistiu a novo salvamento. Desta vez um bote com 95 pessoas. 

José Carlos Carvalho refere que ao chegarem ao navio, os olhos destes imigrantes revelam alívio. Eles sabem que encontraram "a porta de entrada para a Europa", sobreviveram a um mar de provações.

Alguns destes registos fotográficos estão agora expostos no Restaurante Maria Laranja. "Mar de Vítimas e Heróis" estará patente até dia 15 de junho. São imagens que não digerimos facilmente, mas que nos fazem refletir sobre o flagelo do tráfico humano. E questionamos se o que move estes homens e mulheres será a coragem ou o desespero.





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"Atravessam desertos e fronteiras antes de chegarem ao mar que os separa do continente europeu. À procura de outra sorte, entregam-se a quem se alimenta do tráfico humano. Desde janeiro morreram, no Mediterrâneo, pelo menos, 6500 pessoas e foram resgatadas 160 mil. No último mês, a Marinha portuguesa ajudou a salvar outras 500. "Enlatar" pessoas em botes tornou-se o negócio mais rentável do mundo. Vêm empurrados por uma esperança renovada, desde a Primavera Árabe, essa onda de revoluções e protestos que alastraram no Magrebe e no Médio Oriente, depois de dezembro de 2010. Entretanto, deu-se um imenso e repetido massacre no mar. Este ano, já se bateram todos os recordes 160 mil salvamentos e mais de 6.500 mortes, números do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados."


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José Carlos Carvalho nasceu em Luanda, 1970. Com o curso de fotografia do Ar. Co, iniciou a sua carreira na imprensa regional, sendo posteriormente convidado para ingressar no Correio da Manhã. Foi repórter fotográfico e editor de fotografia no Diário de Notícias, de onde saiu para a revista Visão. Atualmente leciona no Instituto Português de Fotografia e no Instituto Politécnico de Tomar. Vencedor de vários prémios de fotografia,dos quais se destaca o Gazeta 2013, já realizou várias exposições individuais e coletivas. Fez parte do projecto 12.12.12. Atualmente faz parte do projecto fotográfico www.projectotroika.com que resultou num livro a editar em Dezembro de 2014.

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