Smile it's Free, by Teresa

"O Festival da Canção - O Mito"

Lembro-me como se fosse hoje do país parar para ver o Festival da Canção. 

Hoje as coisas são tão diferentes. Diferentes porque as famílias já não se reúnem para ver, ouvir e escolher a música que nos irá representar, porque os candidatos são quase sempre os mesmos e porque as músicas parecem feitas 5 minutos antes de serem apresentadas ao público. 

Voltámos a ter a Simone de Oliveira e a Adelaide Ferreira como candidatas. A Simone de Oliveira? A Adelaide Ferreira? Mas elas já ganharam. Exato. Mas mesmo assim ainda lá vão. E isso não deveria ser permitido. É por isso que desde há uns anos o Festival é mais do mesmo, há candidatos que lá vão todos os anos, ou quase todos. 

Este ano o Festival fez 50 anos. 50 anos. As 3 galas que culminaram com a escolha da canção vencedora foram todas bastante fracas. Foi nítido que em muitas alturas os 6 apresentadores (sim, 6, 2 para cada gala!!!) estavam a "encher chouriços". Tantas coisas que poderiam ter feito com os 50 anos do Festival. Tantas. Para além disso a qualidade das músicas deixa muito a desejar, não de todas, mas da grande maioria. 

Ainda tivemos direito a pérolas maravilhosas por parte dos apresentadores:
- Segundo o Jorge Gabriel a música "Papel Principal" da Adelaide Ferreira é a mais cantada em todos os karaokes do país. Acredito que o Jorge tenha feito uma profunda pesquisa, recorrido a todos os bares e restaurantes... 
- Catarina Furtado achou que devia informar o público que passados tantos anos o Festival passou a ter música ao vivo, novamente. Oi?! Mas o quê?! Não nos digam que não há músicos em Portugal que possam ir tocar em 2 ou 3 galas?! 
- A Catarina achou que também era interessante aconselhar a vencedora a usar a taça da Vista Alegre como jarra. 

E ganham estes apresentadores milhares. Milhares pagos do nosso bolso. A RTP precisava de uma volta. Mas uma grande volta.

Mas vamos ao que interessa... Acabou por vencer a Leonor Andrade, uma das finalistas do The Voice, que cantou uma música da autoria do Miguel Gameiro, o vocalista dos Pólo Norte. Gosto da Leonor, bastante, mas acho que aquela música não é para ela, não é o estilo dela. E isso vê-se. É mais uma musica não-aquece-nem-arrefece ao estilo dos Pólo Norte. Nada de novo, nada que mexa connosco e que nos faça querer ouvi-la de novo. 

Por mim teria ganho a Teresa Radamanto, que já merecia há muito um lugar de destaque no nosso pequeno panorama musical, mas continua aqui e ali a fazer coros. A música da Teresa era um pouco de fado, mas falava de nós. E falava de Viena, a cidade onde se irá realizar a final do Festival deste ano. 

E para mim é disso que se trata o Festival, de apresentar uma música que represente o país, que nos identifique enquanto povo. Foi isso que nos deu o melhor lugar de sempre, com quase 20 anos, o lugar conquistado pela Lúcia Moniz, de quem eu tanto gosto. E como eu gosto da música que ela levou ao Festival. E porque estou a falar disto?! Porque este foi o melhor momento do Festival da Canção 2015, o momento em que a Lúcia subiu ao palco para interpretar "O meu coração não tem cor", o momento em que todos se levantaram e cantaram e o momento em que ela se emocionou. Isto era o Festival da Canção. 

E porque é desse Festival que me irei sempre lembrar, aqui vos deixo o honroso 6º lugar que a querida Lúcia nos deu. 


E esperemos que para o ano seja melhor. A esperança é a última a morrer. 

Teresa

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