Alentej'Amando, by Maria Brinquete


Primaver’ando

Abrindo um pouco mais o leque da quase crónica 1 de Alentej’Amando - o mapa afetivo das pequenas viagens, não quisemos deixar de partilhar o nosso elogio à prima estação e à poesia. Pela Páscoa, sairemos da casca e abriremos de par em par – fica, para já, um pouco do nosso Janel’ar alentejano com fotos & palavras: o poeta popular Manuel Lourenço Monteiro e Florbela Espanca.
Com votos de uma Primavera FELIZ.
Abraço alen t e j a n o

Maria Brinquete

Ó ALENTEJO

Ó lindo chão, seara louca... em flor!
Ó mar loiro, nas ondas dos trigais;
De sonhos de poetas imortais...
És sangue e pó, do humilde, lavrador.

Eu sempre te amarei, e com fervor...
Terra de camponeses e maiorais.
Na sombra de montados e olivais,
- eu te rego chorando meu amor...

Nos quentes remoinhos do Suão
E no sol a escaldar o teu terrume,
Se treme o manto d'oiro no Verão...

Alentejo que ao sol és brasa e lume...
À noite és a cantiga solidão!
Nas vozes, que te embalam, num queixume!? ...

Manuel Lourenço Lopes Monteiro1, 20/10/1995



O MEU ALENTEJO

Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo. Ondeiam nos trigais
D’ouro fulvo, de leve... docemente...
As papoilas sangrentas, sensuais...

Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros...

Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador...
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!


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