Um pouco de Tudo, por Aldy Coelho


Fazenda Nova Gokula – Local de contemplação e adoração à Krishna

Um pedaço da Índia no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, Brasil. Para quem procura paz de espírito, belezas naturais e um encontro com Deus, independente de religião, a Fazenda Nova Gokula, maior comunidade Hare Krishna da América Latina, é o lugar certo.

Localizada na zona rural de Pindamonhangaba, a fazenda abriga dois grandes templos, restaurantes vegetarianos, pousadas, camping, lanchonetes, biblioteca e lojas para receber os praticantes da religião Hare Krishna e os curiosos, que buscam um lugar tranquilo para admirar a natureza, fazer trilhas e se refrescar no rio que corta a propriedade. O local também é uma área de proteção ambiental e soltura de animais silvestres.


Fundada em 1978, no auge da religião no Brasil, chegou a abrigar 200 famílias na década de 1980. Hoje, apenas 70 moradores habitam o local que recebe visitantes de todo o mundo diariamente. É comum encontrarmos as mulheres vestidas com sáris coloridos, homens com o traje típico indiano, e devotos entoando o mantra de 16 palavras incessantemente, com uma espécie de rosário chamado “japamala” (japa = repetição / mala = cordão), dentro de uma bolsa de tecido.

A paz que o local transmite é inquestionável. Além da aproximação com a natureza, o clima de meditação é constante, dentro e fora dos templos. A área interna do templo principal chama a atenção pelos dois altares, um defronte ao outro. Um deles traz a imagem em tamanho original (e quase real) do pensador indiano e fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.


Do outro lado, uma grande janela fechada indica a surpresa que é revelada aos presentes: o altar das Deidades, estátuas de Krishna em sua forma original com a flauta ou em uma de suas manifestações como Caitanya Mahaprabhu, Narasimha, Jagannatha, etc. Os devotos consideram que, como Krishna é absoluto, não há diferença entre ele próprio e sua representação na forma de Deidade.


Todos os dias os templos executam várias cerimônias de adoração à Deidade, oferecendo itens como incenso, água, flores aromáticas e comida vegetariana. As Deidades são regularmente despertadas, banhadas, vestidas, colocadas para dormir, enfim, têm toda uma rotina como se fossem hóspedes de honra. Três vezes por dia o altar onde estão as Deidades é aberto e as pessoas podem acompanhar o pujari (brâmane responsável pela adoração da Deidade) realizar a cerimônia.


A ISKCON, segundo as descrições dos devotos, representa a mais antiga civilização e tradição religiosa, a cultura Védica ou Vaishnava (tradição monoteísta com milhões de seguidores na Índia e no Ocidente, que cultiva a devoção à Suprema Personalidade de Deus, Krishna ou Vishnu). O estilo de vida e crenças filosóficas praticadas, segundo seus membros, baseiam-se nas escrituras Védicas milenares, tais como os Vedas, os Upanishads, os Puranas e o Bhagavad-gita, o principal livro do Movimento Hare Krishna.

De acordo com a religião, é proibido o consumo de carnes ou de qualquer alimento que cause sofrimento animal nas dependências da fazenda. Por esta razão, todo o alimento servido nos restaurantes, lanchonetes e cozinha comunitária é totalmente vegetariano. Uma das iguarias mais famosas do local é a tradicional coxinha de jaca. O recheio do salgado é feito com a polpa da fruta, que é preparada com temperos e condimentos de forma a ficar com sabor salgado e textura completamente diferente da fruta original.

Assim como a Fazenda Nova Gokula em Pindamonhangaba, Curitiba também possui um templo Hare Krishna no centro da cidade, próximo à Catedral de Curitiba, das igrejas da Ordem e Presbiteriana, assim como da Mesquita, o que mostra o quão diversificada e tolerante é esta cidade.


O que não se pode negar é que, durante a visita ao templo, mesmo não sendo devoto da religião, é impossível não entoar, ao menos uma vez, o mantra: “Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare”. 

Aldy Coelho
aldycoelho@gmail.com
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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