"Histórias Infanto Juvenis da Tradição Africana" por Carlos Duarte


O dono das cabras



Havia numa aldeia, um homem muito ambicioso, cujo único intuito na vida, era enriquecer muito, e o mais rápido possível. Já tinha um numeroso rebanho de cabras, mas cansado de pastoreá-las de dia e guardá-las durante a noite, de vez em quando, vencido pelo cansaço adormecia, e os ladrões roubavam-lhe algumas cabras.
O homem, em face do que para ele era uma desgraça, resolveu aconselhar-se com um velho, em cuja sabedoria acumulada em muitas décadas, confiava para encontrar a solução do seu problema.

O velho interpelado, pensou um pouco, e sugeriu que o melhor que o homem tinha a fazer, era contratar um guarda, que a troco de uma ou outra cabra, lhe tomaria conta de todo o rebanho. 
Mas o homem, avarento, considerou o preço muito caro, e fingindo aceitar o conselho, despediu-se do velho sábio.
Procurou então outro velho, a quem expôs o problema, e pediu a ajuda de um conselho sábio e experiente. 
O segundo velho, após pensar um pouco, disse-lhe que arranjasse um bom cão de guarda, ao qual apenas precisava dar a refeição diária, em troca de toda fidelidade e eficiência. Este segundo conselho, embora de custo bem mais modesto, também não agradou ao proprietário das cabras, pois ainda tinha despesa, e isso ele não queria. Novamente fingiu acatar o que o velho lhe deu e, despedindo-se, foi embora para casa.
No caminho para casa, conjeturou:

-Se o velho acha que um cão é suficiente para tomar conta do meu rebanho, um lobo também deve ser, pois, é muito mais bravo do que um cão, e tem a vantagem de se alimentar de bichos do mato, e eu não precisarei, portanto, lhe dar comida.
Assim pensou e assim fez.


Na madrugada do dia seguinte, foi para o mato, onde construiu, armou e camuflou uma armadilha para lobos, crente que a partir do dia seguinte, não mais teria problemas com o seu rebanho.
Na noite desse dia, ficou de novo de guarda ao rebanho, mas mal o sol despontou, foi inspecionar a armadilha que, para grande alegria sua, tinha capturado um belo espécime de lobo adulto. 
Tirou com todo o cuidado, colocou-o no engradado, e foi para a sua casa onde o deixaria ficar até chegar a noite.
Esse dia, passou-o na maior ansiedade, louco para que chegasse a noite, antegozando a surpresa que os ladrões teriam, quando quisessem roubá-lo.

De noite, após ter recolhido as cabras ao curral, soltou o lobo e foi para casa, disposto a não dormir, para poder sair e apreciar devidamente o espetáculo, mal escutasse qualquer barulho. 
Mas o cansaço venceu-o de novo, e acabou adormecendo pesadamente.

Acordou no dia seguinte, já o sol ia alto, e não se lembrando de ter escutado barulho nenhum, acreditou não ter havido qualquer problema. 
Quando saiu, porém, mal pode acreditar no que os seus olhos lhe mostravam: Com exceção de uma ou outra cabra, o seu rebanho estava completamente dizimado. Durante à noite, o lobo e o restante da matilha, que lhe havia seguido o rastro pelo faro, haviam-se cevado com os pedaços mais macios de cada cabra.
“ Quem tudo quer, tudo perde.”
“ Não se deve tirar os bichos do mato onde vivem”.

Carlos Duarte
(esta crónica é escrita em português do Brasil)

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