"Histórias Infanto Juvenis da Tradição Africana" por Carlos Duarte


O jacaré e a onça

Uma onça sedenta, aproximou-se certa vez de um rio, para beber um pouco de água, e não reparou num enorme jacaré que, mimetizado e imóvel perto de uns arbustos, aguardava a chegada de algum incauto, para atacar e conquistar a sua refeição.

O jacaré atacou de repente, mas a onça ágil como é, conseguiu defender-se e neutralizar o fator surpresa, iniciando-se feroz luta. 

Um caçador que passava por perto, escutando o impressionante barulho da refrega, aproximou-se curioso do lugar.

Ambos os bichos, vendo o caçador ali do lado, tentaram mobilizá-lo em causa própria, pedindo ajuda para imobilizar o adversário, e oferecendo futuras e promissoras alianças, um em terra e o outro na água.

O caçador a principio ficou confuso, sem saber ao certo qual a atitude mais útil a tomar, mas pensou direitinho, e concluiu que um aliado na água era de mais serventia, já que a água não era o seu elemento, e a terra sim.

Achando ser a melhor atitude a tomar, matou a onça.

O jacaré mostrou-se muito agradecido, e convidou o homem para ir a casa dele conhecer a família toda.

O homem aceitou mas mal entrou na água, o jacaré matou-o e levou-o para o fundo do rio, para ele e a família comerem.

“Pau que nasce torto, nem quando vira cinza, endireita.”

Carlos Duarte
(esta crónica é escrita em português do Brasil)

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