"Histórias Infanto Juvenis da Tradição Africana" por Carlos Duarte


O sapo e o elefante

Era uma vez uma princesa, que tinha tanto de bonita quanto de orgulhosa, e que estando em idade de casar, decidiu que só o faria com o mais poderoso dos animais.

Era cortejada por todos, mas optou pelo elefante que sendo o mais forte, ela supôs ser o mais poderoso. Acertaram tudo, e o elefante foi preparar os presentes para oferecer aos pais da noiva.

Aí apareceu o sapo, foi falar com a princesa, e pediu-a em casamento. Mas esta, além de se negar e dizer que estava de casamento marcado, ainda o ridicularizou, pois disse também que iria casar com o elefante, por ser o mais forte e, portanto, o mais poderoso de todos os bichos, perto de quem o sapo era insignificante.

O sapo argumentou que não senhora, negativo, o mais forte dos animais, o elefante certamente era, mas mais poderoso não; ele sapo, era mais poderoso do que o elefante, já que este lhe servia de montaria.

Disse isso, virou as costas e foi embora.

A princesa, assim que encontrou o elefante, contou-lhe da visita do sapo, da conversa que haviam tido, e exigiu que o elefante fosse já tomar satisfações.

O elefante procurou o sapo, e encontrando-o inquiriu-o sobre o assunto. O sapo não confirmou nem negou, mas disse que esse assunto era melhor ser discutido na presença da filha do rei, já que ela é que queria o esclarecimento.

O elefante concordou, e juntos iniciaram a caminhada para a aldeia, mas a meio do caminho o sapo começou a andar muito devagar, dizendo-se cansado e incapaz de acompanhar as poderosas passadas do maior e mais forte dos animais.

O elefante, amaciado pelo elogio, e com pressa de se livrar logo dessa incumbência, que o desviava dos seus afazeres nos preparativos para o casamento, sugeriu ao sapo que subisse nas suas costas, pois assim chegariam rápido, e ele não se cansaria.

Quando chegaram à casa da noiva, e ela viu o elefante servindo de montaria para o sapo, nem quis escutar qualquer explicação.

Rompeu o noivado com o elefante, naquele mesmo momento, e ficou, em seguida, noiva do sapo, com quem acabou casando e vivendo por muito tempo.

“A esperteza vale mais do que a força.”

Carlos Duarte
(esta crónica é escrita em português do Brasil)

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