"Histórias Infanto Juvenis da Tradição Africana" por Carlos Duarte


A hiena e o macaco

Numa determinada época, no tempo em que os animais falavam, por causa de uma prolongada seca, seguida de chuvas que tudo inundaram, estragando as colheitas, houve fome no mato.
Os animais não tinham o que comer, deambulavam esfomeados e magros, até que acabavam morrendo de inanição.

O único bicho para quem a crise estava sendo proveitosa, porque se alimentava de carniça, era a hiena, que engordava na proporção que os outros emagreciam.

Como até os próprios cadáveres foram rareando, a hiena começou a ficar preocupada.


Um dia que não conseguiu achar nada para comer, a chefe da matilha das hienas, falou para as suas comandadas, que iria à aldeia dos macacos, roubar um pouco de comida.


As outras falaram que não, que ela não deveria ir, pois os macacos eram muito espertos, e se tivessem comida estaria certamente bem escondida, e além do mais, se a vissem, iam acabar ficando com raiva de todas as hienas.


Mas a hiena chefe insistiu, e acrescentou que ia, e traria comida, e se por acaso não conseguisse, então as companheiras estavam autorizadas a comê-la, serviria ela de refeição para o grupo, se falhasse na sua missão.


E sem aceitar outros questionamentos, dirigiu-se para a aldeia dos macacos.

Chegou lá já era noite alta, todos estavam dormindo a sono pesado. A hiena procurou por tudo quanto era canto, o possível esconderijo, mas não achou comida nenhuma, nem um pouquinho só, que desse para ela, quanto mais para alimentar todo o grupo, como ela havia prometido!


Resolveu então pegar um macaco, bem grande, que estava profundamente adormecido, e que com aquele tamanho, dava para todos comerem bem.

Pegou o macaco com jeito, mas na caminhada de volta, o macaco acordou, pulou para o galho de uma árvore e fugiu.


As outras hienas, preocupadas com a demora da chefe, e pensando que ela pudesse estar em dificuldades, decidiram ir atrás, e ver o que se passava.


Encontraram-na sentada e pensativa, do lado da árvore para onde o macaco pulara. Contou então toda a história às companheiras, mas estas, cumprindo com o combinado e acertado, comeram ali mesmo a chefe.


“Não devemos prometer, o que não temos certeza de poder cumprir.”

Carlos Duarte
(esta crónica é escrita em português do Brasil)

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