Marco Santos Marques, passou pelo Armazém

    

    Marco Santos Marques, A Nuvem e o Sobreiro

A vida coloca a pessoa certa no nosso caminho na altura em que precisamos dela. Parece uma frase feita, daquelas que fica bem dizer em determinados contextos. Mas na verdade o Marco apareceu na minha vida na altura exata. Com uma precisão quase cirúrgica.
Mas ele hoje está aqui, no blogue, porque é um talento. E quero que ele também cruze o vosso caminho! Sabe-se lá quando precisarão de um fotógrafo!
 
A paixão pela fotografia "Surgiu há muitos anos. Sempre que agarrava numa máquina sentia-me completamente identificado com a linguagem da fotografia." - Foi assim que iniciámos a conversa. E Marco continua "É engraçado ver algumas da minhas fotografias antigas, pois na altura já enquadrava nos terços, fator técnico que não fazia a mínima ideia que existia. Tinha uma máquina fotográfica Canon Ixus M1 de rolo e era com essa máquina que eu satisfazia as minhas tentações fotográficas."  Mas a tentação foi crescendo e era preciso evoluir e assim Marco, decidiu, em 2004, comprar uma Fuji Fine Pix S5500 -  "Cerca de um ano depois fiz uma aposta com um colega. Qual de nós tirava a melhor fotografia de um teatro em Lisboa. Na altura com a minha primeira máquina digital, aceitei o desafio. Aí foi analisada a qualidade do ficheiro. Perdi, na qualidade do ficheiro mas ganhei no espírito." Nada voltou a ser o mesmo depois da aquisição da segunda DSLR digital, lançada pela Canon uma EOS 350.  Segundo ele "a fotografia tornou-se uma obsessão. Hoje em dia uma obsessão de forma mais adulta", afinal é o modo como ganha a vida.

                                Marco Santos Marques, Outra Vida

Marco iniciou-se pela fotografia de paisagem natural e confessa que ainda é um motivo que gosta muito de fotografar - "pois adoro estar na natureza, principalmente nos locais mais selvagens e absorver a energia e a luz de cada momento da paisagem." No entanto  "fotografar pessoas, captar a sua essência e alma é muito estimulante e também me faz sentir realizado." Na verdade, Marco  sente-se um privilegiado porque consegue captar o melhor de dois mundos: a natureza e os momentos mais felizes na vida das pessoas.

Dedica-se profissionalmente à fotografia desde 2009. Relembra "inicialmente comecei por lecionar Workshops de Fotografia de Natureza, mas infelizmente tudo o que tem a ver com fotografia de natureza, em Portugal, tem que ser por gosto, pois é economicamente inviável. É muito complicado conseguir ganhar vida nessa área." É quando chega a esta conclusão que começa a fotografar casamentos. "Confesso que inicialmente estava reticente, mas mais do que nunca estou adorar agregar a imagem do casamento à Arte, visão que partilho na fotografia na Natureza."

    Marco Santos Marques, Coroa de Espinhos

A determinada altura atrevi-me a perguntar-lhe se havia alguém que ele gostasse muito de fotografar. Mas para o fotógrafo "todos os seres têm algo de especial" para ele o que realmente importa é "conhecer bem quem se fotografa e fazer o resumo desse conhecimento numa imagem, o que já é por si só complicado e quando conseguido muito compensador."

O nascer e o pôr-do-sol são os momentos do dia que Marco mais gosta de fotografar, segundo ele é "a chamada hora mágica que transforma, qualquer motivo (seja paisagem, sejam pessoas) em algo diferente para melhor, devido ao baixo contraste, iluminação lateral e cor. Isso deve-se à luz solar que, nesses momentos, atravessa as camadas mais baixas da atmosfera."
Como qualquer fotógrafo/a que se preze, Marco também tem as suas referências e preferências neste mundo maravilhoso das imagens e elege (entre outras)  “Clearing Winter Storm” de 1942 e “Winter Sunrise” 1944, de Ansel Adams, "fotografias com 70 anos que cultivam o meu imaginário da paisagem selvagem eterna em que a luz escreve numa fotografia a beleza da vida. Tal como diz o Ansel - Estes momento únicos que natureza nos proporciona, só conseguimos tocar ao de leve na profundidade da perceção do nosso espírito."

                                Marco Santos Marques, Território de Neptuno

Mas existe uma fotografia, de sua autoria que Marco gosta muito e que partilha connosco - "sem querer de modo algum equiparar ou colocar num patamar de igualdade com Ansel Adams, (só referir as minhas fotografias junto das dele, já sinto alguma inquietude), mas a minha fotografia “Cravo Dourado” revela como a luz transforma um local banal, num local belo e especial. Somente através da experiência e observação é possível conseguir um resultado bem interessante. Esta fotografia demorou cerca de dois anos a idealizar. O mais importante era perceber qual o dia exato para acontecer. Num espaço de 20 minutos aconteceu tudo o que vemos reunido numa simples imagem. No total são seis imagens fotografadas em seis momentos diferentes." 
    Ansel Adams, Clearing Winter Storm, 1942


   Ansel Adams, Winter sunrise, Sierra Nevada,1944



    Marco Santos Marques, Cravo Dourado, Cabo Raso, Portugal, 2011

Com tanta tecnologia ao nosso dispor, hoje em dia todos tiramos fotografias (contra mim falo, que fotografo tudo e mais um par de botas...), mas nem todos fazemos fotografias... e aqui reside uma grande diferença. Por isso quis saber qual a opinião de Marco em relação à banalização da fotografia - "Esse é mais um desafio para os fotógrafos profissionais." Segundo ele, foram vários os fatores que contribuíram para esta situação "Todos temos uma máquina que regista imagens, o que é diferente de estudar e fazer uma fotografia e ter um conhecimento (olho) fotográfico. Que não está dependente de nenhum equipamento, mas sim de muito trabalho. O equipamento é uma extensão desse conhecimento." Refere ainda que "existe também uma necessidade intrínseca nos dias de hoje em participar. Fotografar é contemplar, observar, exatamente o oposto que a vida dos dias de hoje incentiva. Portanto numa sociedade em que todos os processos são atalhados, fazer uma fotografia, ou seja efetuar um caminho prévio no intuito de reunir conhecimento que levam a um resultado final não é valorizado. Consequentemente quem tem esse trabalho vê-o  desconsiderado pela falta de conhecimento de quem visualiza. O último grito de participação na fotografia é uma selfie. Tudo se torna em algo diferente do que é no momento." E termina dizendo "aguardemos que a próxima notícia seja mais enaltecedor da espécie humana."

A vida de um fotógrafo profissional é um constante desafio. E o maior de todos é  "fazer da fotografia de casamento e eventos, o meu meio de subsistência. Ser fotógrafo é muito mais do que se pensa, temos que dominar diversos assuntos nas áreas mais díspares." Marco refere que "em todas as fotografias estão refletidos conhecimentos de diversos níveis como: o saber estar, o comunicar, a psicologia, a meteorologia, a publicidade e o marketing, o web design, o gerar de conteúdos, o editar..." Já para não falar "da fotografia, com todo o estudo técnico, estético e prático que é necessário." Outro desafio é o de acompanhar  e estar atento "às evoluções técnicas das marcas de fotografia e de todos os acessórios necessários que nos poderão facilitar qualquer fase do trabalho." Tendo tudo isto em linha de conta um dia de trabalho na vida de um fotógrafo tem no mínimo 12 horas de trabalho seguido, podendo chegar às 14/15 horas. Isto porque o Marco é perfeccionista e faz questão que os seus produtos sejam de excelência, tanto na qualidade quanto na durabilidade e ainda refere que "o equipamento de todo o processo ascende os largos milhares de euros. A título de exemplo todas as fotografias entregues é possível fazer impressão de metros de comprimentos e altura."

É tão bom quando a nossa vida se cruza com pessoas assim, que amam o que fazem e fazem-no bem!
Se quiserem contactar o Marco ele anda pela "Foto de Sonho"
E-mail marco@fotodesonho.com | Número de contacto +351 918 753 370

    Marco Santos Marques, Vénus e a Lua

Para descobrirem mais sobre o seu trabalho, acedam ao seu site profissional aqui. Se estiverem a pensar casar, nada como um tour por aqui E se a natureza é a vossa praia então deliciem-se com estas fotografias maravilhosas.


      mail@marcosantosmarques.com 

   Marco Santos Marques, Pensamentos Primitivos

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