Cada Porta uma história


Um carro passou a alta velocidade no calor do alcatrão. O sol estava especialmente quente nesse dia... e nem sequer era verão. Do outro lado da estrada a mesma rotina. Sentada à porta, no seu banco de madeira, olhava com atenção os carros que, de tempos em tempos, teimavam em passar por ali. A esperança mantinha-se. Um dia, ele viria. No seu carro novo, comprado na euforia do primeiro emprego. Um dia... Mas quando? Não fazia ideia do tempo que ainda a separava do seu filho adorado. Testemunha desta espera ingrata era a porta em frente à sua... o nº 77... Observara tudo, desde os primeiros passos, à primeira bicicleta, ao primeiro beijo... à partida para longe, onde a esperança ainda existia. A porta do nº 77 também aguardava ansiosa o regresso do desejado. Já não aguentava observar aquela mulher de olhar triste perdido nas memórias de outros tempos. E assim os dias foram passando até que numa tarde de verão, um carro surge na estrada e estaciona em frente ao banco de madeira.

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