Um Pouco de Tudo, por Aldy Coelho


A volta para casa

(...) Experimente coisas novas. Troque novamente.
Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento,
o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!(...)
Mudança – Clarice Lispector

Em minha primeira postagem para este blog eu falei sobre algumas mudanças que estavam acontecendo na minha vida, lá em 2013, enquanto estava morando na Europa, mais precisamente em Dublin, na Irlanda. Pois bem, após quase um ano vivendo naquele gelado país, desfrutando das mais incríveis experiências por quais poderia passar, viajar e conhecer, voltei para minha terra natal, o Brasil.

Apesar de muitas pessoas reclamarem do meu país (até mesmo os próprios brasileiros, mas isso já é de praxe), eu percebi que, mesmo os países europeus mais desenvolvidos, também possuem problemas sociais como os nossos. E descrevo os problemas que vi, iguaizinhos aos do Brasil: o alcoolismo e uso de drogas na Irlanda, principalmente entre os jovens; o tráfico de drogas em Portugal; os moradores de rua na Espanha, os imigrantes em empregos informais na Itália, e na França, os pedintes, bandidos e golpistas. Neste último, algo tão absurdo a ponto de ser avisada, por uma francesa, para tomar cuidado com a bolsa dentro do metrô. Fora outros casos que presenciei, e quase fui vítima, que rendem outra postagem mais detalhada.

Mesmo assim, continuei a amar cada lugar por onde passei e planejar um próximo retorno. Então porque seria diferente com o meu país? Continuo amando minha pátria, com todas as suas qualidades e seus defeitos, e sei que não dá para ficarmos reclamando se não fizemos a nossa própria parte. É claro que existem desigualdades sociais em todos os países, uns mais, outros menos, e que há outros pontos em que a Europa ganha do Brasil, de longe, principalmente no que se refere ao retorno dos impostos em benefícios para a população.

Neste ano, temos dois grandes acontecimentos por aqui, e que já estão agitando os ânimos da população. O primeiro será a Copa do Mundo, em que o Brasil será o centro das atenções no mundo todo. E, apesar de o futebol ser a grande paixão dos brasileiros, há opiniões diversas sobre este assunto, uma vez que os gastos com as construções e reformas dos estádios que sediarão os jogos já ultrapassaram, e muito, o orçamento planejado. Como será o evento, ainda não sabemos. Há quem jure que será um desastre, no quesito organização e estrutura, e há quem diga que o Brasil surpreenderá o mundo, não só em campo como fora dele, em todos os sentidos.




O segundo acontecimento, serão as eleições para Presidente, Governadores de Estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais que ocorrerá em outubro. Durante as eleições, teremos a oportunidade de mudar o que não está bom, pois aqueles que ocuparão os cargos citados acima serão os nossos representantes no governo. Caberá a nós analisarmos o perfil de cada um para escolher o mais apto, o mais qualificado e o mais íntegro, para administrar nosso país e decidir o nosso futuro. Os protestos, que vêm acontecendo recentemente, com intuito de pressionar o governo contra a Copa, não deixam de ser válidos, mas a melhor forma de protesto ainda é a manifestação da democracia com consciência nas urnas, na hora do voto.

Não costumo ser política e nem partidária, mas nosso país é jovem, tem apenas 514 anos, ainda está crescendo, se formando e se colocando junto aos outros países como uma potência em desenvolvimento. É injusto compará-lo à Europa ainda, mesmo porque a extensão territorial, as diferenças culturais, sociais e econômicas são complicadores que dificulta chegar a uma unicidade que agrade a todos.

Enfim, desviei do assunto, mas acabei por refletir sobre o meu papel como cidadã brasileira, contribuinte, e que só busca o melhor para a minha vida e para a sociedade. Na verdade, acho que nessa busca pelo melhor, para mim e para os meus, é que vivo sempre em mudanças. Afinal, o que é absolutamente estático não pode ser bom (se nem a Terra e o Universo são estáticos, porque eu deveria ser?).

Com a minha volta ao Brasil, decidi mudar de cidade e Estado. Deixei minha pequena cidade de nascimento, Taubaté, no interior do Estado de São Paulo, e fui buscar novas oportunidades em Curitiba, capital do Estado do Paraná, mais ao sul do país. Uma cidade grande, cheia de oportunidades, e que será uma das cidades-sede dos Jogos Mundiais (aqui já está uma loucura por, pois faltam 30 dias, apenas).


 Curitiba, Brasil

                                                   Curitiba, Brasil

Há dois meses vivendo aqui, mesmo já conhecendo a cidade anteriormente como turista, estou descobrindo coisas novas e criando uma nova rotina. Novo trabalho, casa nova, novos amigos, um novo ciclo se inicia, e quero futuramente compartilhar com vocês, queridos leitores, esta nova vida. Daqui para frente, quero contar para vocês um pouquinho sobre as curiosidades desta região tão cultural, tão desenvolvida e tão charmosa, que me faz lembrar a Europa muitas vezes, pelo seu clima frio e pela população, descendente de europeus que colonizaram esta região. Pois é, mudei-me, mas já me sinto em casa!

Aldy Coelho
aldycoelho@gmail.com

(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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