Um Pouco de Tudo, por Aldy Coelho

  Giants Causey (Foto. Fábio Taberga)

Da série “PÉ NA ESTRADA”: Irlanda do Norte, história e natureza encontram-se aqui

Quando se fala em Reino Unido, lembramos logo dos destinos turísticos mais populares sua capital Londres, o País de Gales, ou mesmo a encantadora Escócia. Porém, poucos se lembram de que a Irlanda do Norte também faz parte do Reino Unido e que é um dos destinos turísticos mais exuberantes em belezas naturais, rico em histórias e exótico para aqueles que buscam novidades.
Antes de ser dividida, a Irlanda possuía quatro províncias e Ulster era a província mais ao norte. Na década de 1920, quando houve o processo separatista entre as Irlandas, a única que se manteve sob o domínio inglês foi esta província. Ulster, North Ireland, ou para nós, Irlanda do Norte, está ainda hoje sob o governo da Grã-Bretanha após uma série de conflitos armados, que atualmente reduziram muito, exceto pela presença de alguns grupos radicais em pontos isolados.
Apesar de ser o menor país do Reino Unido, a Irlanda do Norte é repleta de pontos turísticos interessantes, seja pelas riquezas naturais grandiosas, como a Calçada dos Gigantes (Giants Causey) e a Ponte de Cordas (Rope Bridge), ou ainda pela riqueza cultural, como a arquitetura dos castelos, igrejas, e a base naval onde foi construído o Titanic, onde hoje abriga um grande museu.
 
No quesito beleza natural, o ponto turístico mais impressionante é sem dúvida a Calçada dos Gigantes, considerado Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1986, e que reúne lendas e estórias incríveis sobre uma construção basáltica gigantesca, por isso a razão do nome. São cerca de 40 mil colunas em forma de polígono, com cerca de 10 metros de altura, resultado de uma erupção vulcânica de 60 mil anos, encaixadas em forma de calçada, que dá vista para o mar da Irlanda. É possível caminhar pelas pedras alinhadas e surpreender-se com o visual, o que dá margem para a lenda de um gigante irlandês que queria atravessar o mar para chegar à Escócia e duelar com outro gigante. Ao perceber que o gigante escocês era ainda maior e assustador, o gigante irlandês retornou e fingiu-se de bebê para enganar o gigante escocês. Quando o gigante escocês atravessou o caminho em direção à Irlanda e deparou-se com um bebê incrivelmente grande, assustou-se ao imaginar qual seria o tamanho do pai da criança e imediatamente retornou à Escócia, destruindo a parte da calçada que ligava os dois países.Em todo o trajeto em direção às calçadas há mensagens desafiando você a encontrar no formato das pedras o tal gigante. Aqueles mais criativos conseguem ver uma infinidade de coisas em tantas pedras com formatos diferentes. Em dias de céu aberto, geralmente no período primavera-verão, você consegue visualizar as verdes falésias em contraste com o mar azul turquesa. O caminho é longo e sinuoso, mas não exige muito esforço físico do turista. Para os que quiserem aventurar-se, subir na grande calçada e sentir-se minúsculo perante tamanha beleza natural, é aconselhável ir com calçados e roupas confortáveis. Há também um Cento de Recepção ao Turista com toda a infraestrutura necessária para o visitante, incluindo um áudio guia em diversas línguas que explica toda a história e lenda sobre o local.
 

   Giants Causey (Foto: Fábio Taberga)


   Giants Causey (Foto: Fábio Taberga)


Mais alguns quilômetros à frente, margeando a costa e admirando a vista, você chega à Ballintoy, ainda no Condado de Antrim, onde você encontra outra atração turística, uma ponte suspensa feita de cordas e madeira que liga a costa irlandesa à ilha de Carrick-a-Rede. Com 20 metros de comprimento e 30 metros de altura, a Rope Bridge (Ponte de Cordas) foi construída há muitos anos para auxiliar os pescadores de salmão. Hoje em dia, ela só é utilizada para fins turísticos, pois a pesca neste local é proibida. A expectativa é no momento da travessia, já que a ponte é instável e balança com a força dos ventos, que naquela região próxima ao mar é bem forte. Além disso, a altura é outro fator que causa certo receio durante o trajeto, já que é possível perceber a altura e ver o mar abaixo pelos vãos da ponte. E claro, sempre tem um ‘engraçadinho’ balançando a ponte para dar mais ‘emoção’ na passagem. Não é nada radical, é bem seguro e há guias locais monitorando a travessia de acordo com a quantidade de pessoas. Como recompensa, a vista incrível do outro lado da ponte, onde é possível descansar na grama verde, fazer belas fotografias e ver uma parte da costa da Escócia.
   Rope Brigde (Foto: Fábio Taberga)


    Rope Brigde (Foto: Fábio Taberga)

Já na capital da Irlanda do Norte, Belfast, você encontra outros destinos culturais e um clima mais ‘inglês’, com construções de arquiteturas bem características da dominação inglesa, como o City Hall e o Albert Memorial Clock, que lembra o Big Bem em Londres. No subúrbio de Belfast há um muro de concreto e portas de ferro que divide a região onde vivem católicos, a favor da independência do país e a união com República da Irlanda, e protestantes, favoráveis em pertencer ao Reino Unido. Esta área é a mais conflituosa da cidade, durante o dia os portões são abertos para passagem de carros e pedestres, mas durante a noite eles são fechados impossibilitando a travessia. Apesar da segregação, este também é um ponto turístico famoso, já que os muros possuem ao mesmo tempo mensagens de paz e luta.
   Centro de Belfast (Foto: Reginaldo Berto)

Muitos não sabem que o Titanic foi construído em Belfast, e o local de sua construção também é aberto para visitação. Neste lugar foi construído um museu em homenagem à tripulação e passageiros, com modernos padrões de arquitetura e exposições interativas que contam a história da cidade na época, o processo de construção do navio, as dependências de cada classe social que viajaria nele, o fatídico acidente com o iceberg, até o afundamento total do navio mais moderno da época. É como se fosse uma viagem dentro do Titanic feita virtualmente. Há do lado de fora do museu o desenho das linhas originais e a altura do prédio do museu é a mesma altura que teria sido o navio, o que nos dá a percepção da grandiosidade da construção naval que levou 32 minutos para ser lançado ao mar e parecia ser indestrutível. Para quem gosta de história, é um prato cheio!
  Museu do Titanic - Estilo de Cabines (Foto: Aldy Coelho)


    Museu do Titanic - Estilo de Cabines (Foto: Aldy Coelho)

Todas essas atrações não são gratuitas, mas vale o investimento. São experiências que marcam como um passeio proveitoso e cultural, de onde se leva algo além de belas fotografias, mas histórias e recordações que valerão para a vida.

SERVIÇO:
Giant’s Causey: Preço £8.50. Mais informações em https://www.nationaltrust.org.uk/giants-causeway/
Carrick-a-Rede e Rope Bridge: Preço £5.60. Mais informações em http://www.nationaltrust.org.uk/carrick-a-rede/
Titanic Museum: Preço $14.75. Mais informações em http://www.titanicbelfast.com

Aldy Coelhoaldycoelho@gmail.com
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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