"Histórias Infanto Juvenis da Tradição Africana" por Carlos Duarte




A astúcia do cágado
Certo dia na floresta, de repente o céu começou a escurecer com pesadas nuvens, de um cinza carregado, que se avolumavam e fechavam à eminência da tempestade. Os bichos todos tratavam de correr para as suas casas, para se abrigarem.
O cágado, com seu caminhar lento, escolheu uma trilha pouco conhecida, mas que cortaria caminho para o seu abrigo, porém na aflição da pressa, não reparou numa armadilha que os homens haviam cavado no chão, disfarçada com folhas e galhos, e caiu nela.
Ficou apavorado. O buraco era muito fundo, e ele sozinho não conseguia sair, e com o temporal que dentro de pouco tempo cairia, o buraco certamente ia inundar-se e ele morreria afogado.
Estava com estes pensamentos sombrios, enquanto imaginava  um meio de escapar de uma sorte tão ingrata, quando, na mesma armadilha caiu também uma onça que, furiosa e enraivecida, pulava tentando sair da armadilha, enquanto urrava a sua indignação.
O cágado observou tudo calmamente e na primeira oportunidade em que a onça parou para tomar fôlego, começou a reclamar com ela de forma enérgica, admoestando-a pelo que ele chamou de invasão de domicílio.
Como é que ela tinha a ousadia de entrar assim na casa dele, sem ser convidada, e ainda por cima com tão maus modos?  A onça no início, com outras preocupações mais prementes, tentou ignorar o abuso do insignificante animal, mas como o cágado persistisse e de uma forma cada vez mais arrogante, a onça com mais raiva ainda, pulou e deu uma patada no cágado que, todo encolhido no casco, foi jogado fora e longe do buraco.

Tão logo se viu livre, o cágado reiniciou cuidadosamente a caminhada de volta à casa, indiferente à chuva que já começava a cair em grossas gotas.
“A calma sempre leva vantagem sobre o nervosismo.” 

Carlos Duarte
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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