Crónicas da Brilha


O tempo dos falsos deuses
Há quem diga que a Igreja está desatualizada, que a crise de valores que atualmente se atravessa faz com que o Homem se sinta afastado da divindade, que o império da ciência responde a tudo e nos leva ao descrédito da fé.
Outros há, que por necessidades metafísicas próprias, procuram religiões periféricas ou menos conhecidas, assistindo-se a um revivalismo das religiões telúricas ou imanentes em que o centro se desloca do Homem para o homem (ou para a mulher).
Sempre disse que o ser humano precisa de deuses porque não consegue ser responsável pelos seus atos, porque não concebe que a morte seja um fim, tendo criado à sua imagem um conjunto de seres que são o repositório da sua fé, da sua esperança, dos seus anseios e do seu sacrifício.
Quando somos inseridos na sociedade, em situações correntes temos pais, que ordenam, orquestram, castigam e premiam de acordo com a sua própria noção da educação que devemos ter. Quando crescemos isso é-nos retirado. Não somos premiados no trabalho pelas horas que fazemos, pela dedicação que demonstramos, mas muitas vezes por rasgos de sorte que são incompreensíveis. Assim, os deuses são tão necessários à nossa sobrevivência como a água.
Prenhe desta necessidade intrínseca do ser humano, há quem faça da religião um teatro. Deixa a relação do ser com a divindade de se motivar pela procura individual ou pela experiência metafísica, e passa a ser um produto que se vende, de rápido consumo, porque está na moda.
Para alguns, tornou-se necessário vender a religião, torna-la visível, anunciá-la nos jornais e, em elaboradas estratégias de marketing, cativar público. Suspeito saber o nome do verdadeiro deus que idolatram...
Ana Brilha

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