Um Pouco de Tudo, por Aldy Coelho

A Declaração da Independência da Irlanda em 1919 (Foto Wistorial)


Irlanda: Uma história de guerra, dores e superação

Pra conhecer um pouco sobre a Irlanda, é importante conhecermos a origem desta ilha, desde a sua fundação até os dias atuais, afinal, se tem um país com história pra contar, cheio de conquistas, dores e superação, é a Irlanda. E o mais interessante disso tudo, é que em todos os cantos do país, principalmente sua capital Dublin, alguns pontos da cidade tornaram-se atrações turísticas como monumentos, praças e prédios públicos que serviram de cenário para os acontecimentos históricos irlandeses.

A história da Irlanda é marcada principalmente por revoltas e conquistas de seu povo. Os primeiros assentamentos humanos na Irlanda datam de 8.000 a.C. A partir de 4.000 a.C há indícios das primeiras comunidades agrícolas, que deixaram como herança, importantes construções megalíticas em diversos lugares da Irlanda, uma destas construções é a famosa Newgrange, história que contaremos com mais detalhes no futuro.


Essa população, conhecida como Celta, era de origem gaulesa e ajudou a construir a identidade irlandesa que conhecemos hoje, dando origem à chamada antiga civilização gaélica. Esta civilização bem organizada socialmente permaneceu por séculos e acrescentou muito à cultura irlandesa com suas crenças pagãs e mitologias.


Mais tarde, no século V, missionários cristãos desembarcaram na ilha e o Cristianismo foi substituindo as antigas religiões pagãs. Eles eram liderados pelo lendário São Patrício, hoje padroeiro da Irlanda. Os monges se instalaram em mosteiros nas colinas e em aldeias próximas, introduziram o alfabeto romano, documentaram parte das ricas coleções de antigas histórias e lendas celtas, e aos poucos foram catequizando a população, mas sem descartar totalmente suas origens.


No século IX d.C os Vikings invadiram a Irlanda, saquearam e destruíram vilas e mosteiros, construíram assentamentos, e fundaram cidades importantes da Irlanda, que incluem Dublin, a capital da República da Irlanda, bem como Limerick, Cork, e Wexford. Esta ocupação permaneceu durante o século IX e X, o que resultou numa fusão entre os Celtas e Vikings, incorporando elementos das duas culturas.
Devastada, a Irlanda dividiu-se em vários principados rivais, o que facilitou a ocupação de mercenários normandos em 1166, ficando sob o domínio do Rei da Inglaterra durante os 400 anos seguintes.

Desde então, diversas revoltas foram travadas entre irlandeses e ingleses. Quando os ingleses adotaram o protestantismo em 1536, o catolicismo irlandês transformou-se num denominador comum entre os que lutavam pela ocupação de suas terras. Em resposta, a Inglaterra destruiu as populações rebeldes e enviou colonos ingleses para acabar com a maioria irlandesa.


A religião se tornou um motivo de divisão e revolta, um papel que ele manteve até tempos recentes. Durante o século 18, muitas leis foram aprovadas pelo governo inglês discriminando os políticos católicos a fim de proteger a hegemonia anglicana. A língua gaélica foi proibida nas escolas, apenas cinco por cento das propriedades de terra era pertencente aos irlandeses católicos.


Em 1801, o parlamento irlandês foi abolido e Irlanda tornou-se parte do "Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda”, onde os católicos não podiam exercer o cargo parlamentar até 1829.


Foi um período em que a pobreza tornou-se generalizada, e para muitos irlandeses a batata era o mais importante alimento, até que em 1845 veio o desastre, uma terrível praga que destruiu grande parte da colheita da batata. A causa da praga não foi facilmente descoberta, e os governantes ingleses pouco fizeram para ajudar a situação. Cerca de um milhão de pessoas morreram de fome ou doença. Outro milhão emigrou para escapar da pobreza e da fome. Por causa da praga da batata, a população da Irlanda caiu de mais de oito milhões em 1841 para cerca de seis milhões em 1852.


O desejo de um governo autônomo da Coroa inglesa, mesmo com tanta calamidade, não
esmoreceu. Pelo contrário, fortaleceu-se. A luta política passou a ser dominada pelos sucessivos esforços de dotar a Irlanda de um governo independente e de distribuir as terras pela população através de leis que incentivassem a compra de terra aos grandes senhores.

Houve movimentos pela reforma agrária e movimentos para trazer o gaélico como a língua oficial da Irlanda.
 O ato “Home Rule” (Regra da Casa, em tradução livre, era o nome da proposta feita pela Irlanda ao governo inglês de autonomia política) foi aprovada em 1914, o que teria dado ao país alguma autonomia, porém foi suspensa quando a Primeira Guerra Mundial foi iniciada.
Aproveitando que as forças armadas da Grã-Bretanha estavam destinadas para os combates da Primeira Guerra, foi planejada pelos partidários irlandeses uma revolta no dia de Páscoa, em 24 de abril de 1916. Porém, a Revolta da Páscoa não teve força suficiente para conseguir espalhar para além Dublin, e os seus líderes foram presos e executados. O tratamento brutal derrubou a opinião pública em favor da independência.

Uma nova guerra pela independência irlandesa começou em 1919 e continuou até 1921.
Em 1922 constitui-se o Estado Livre da Irlanda no Tratado Anglo-Irlandês, englobando os condados do sul, de maioria católica. O norte da ilha, majoritariamente protestante, permanece ligado ao Reino Unido.

O governo autônomo irlandês foi aos poucos cortando os laços constitucionais com a Grã-Bretanha, até que em 1937 foi introduzida uma nova constituição que permitiu à Irlanda ficar neutra durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1949 é proclamada a República da Irlanda e a definitiva separação entre a Irlanda do Sul e a Irlanda do Norte, que ainda pertence ao território inglês. Aconteceram ainda alguns conflitos entre os nacionalistas que queriam a união das duas ‘Irlandas’, mas um acordo de paz foi assinado, embora até hoje aconteçam algumas revoltas no lado norte por este motivo.


Economicamente, as coisas começaram a melhorar para a Irlanda no final dos anos 1950, um profundo programa de reformas econômicas e políticas foi instituído, em 1973 o novo país passou a integrar a Comunidade Europeia e depois a União Europeia, em 1993. No início da década noventa, começou a demonstrar uma surpreendente capacidade de crescimento devido a investimentos na indústria tecnológica, e implementou um extenso plano para recuperar as tradições culturais, banidas e perseguidas durante os oito séculos de ocupação inglesa.

Período da crise da batata, 1845 (Foto Wistorial)

A cidade de Dublin em 1900 (Foto Wistorial)

Revolta da Páscoa em 1916 (Foto Wistorial)

Confronto entre as tropas britânicas e irlandesas durante a guerra da independência, 1920 (Foto Wistorial)

ALDY COELHO
aldycoelho@gmail.com

(esta crónica é escrita em português do Brasil)  

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