"Histórias Infanto Juvenis da Tradição Africana" por Carlos Duarte



Lenda do pássaro abelheiro

Entre os povos de angola, quando alguém sai para colher cera ou mel, procura por um pequeno pássaro que, sistematicamente ronda as colméias, e com o seu pio estridente as denuncia.

Essa delação é explicada por uma historia que vem do tempo em que os animais falavam e entendiam todas as línguas.

Certo dia, o filho da abelha adoeceu, e esta preocupada, resolveu procurar o Tchimbanda, para diagnosticar e tratar do mal. O Tchimbanda examinou o doente, pensou bem, e disse à abelha que, para a cura, precisava fazer um feitiço que tinha como ingrediente principal uma pena de asa do pássaro abelheiro, a qual, a abelha deveria providenciar o quanto antes.

A abelha foi rapidamente ao ninho do pássaro que, ciente do motivo da aflição da abelha, imediatamente arrancou uma das penas da asa e a entregou à aflita mãe. A abelha levou correndo a pena, ao feiticeiro, que no ato providenciou o tratamento, e em pouco tempo, o filho da abelha estava são e salvo.

Tempos depois, foi o filho do pássaro abelheiro que adoeceu, e este, igualmente preocupado, procurou o mesmo feiticeiro, a quem pediu que lhe curasse o filho.

O feiticeiro examinou, pensou um pouco, e disse ao pássaro que, para a cura do filho dele, precisaria fazer um feitiço em que entrava como um dos ingredientes mais importantes, uma asa de abelha. Assim, se ele queria a cura do filho, deveria arrumar a asa com urgência.

O pássaro voou ligeiro, direto para a colmeia, onde, mal chegou, contou da aflição por que estava passando, do diagnóstico do quimbanda, e pediu a tão necessária asa. A abelha negou no ato, que o pássaro estava era doido, que de jeito nenhum lhe daria uma das asas, pois ficaria impossibilitada de voar.

De nada adiantou o pássaro implorar, relembrar o caso passado, nem prometer em troca da asa, o que a abelha quisesse; ela foi inflexível, não e fim de papo. O pássaro voltou ao feiticeiro, para ver se havia alguma outra coisa que pudesse substituir a asa da abelha, mas não havia, e o filho do pássaro morreu.

O pássaro então, no desespero da dor, jurou que dedicaria o resto da vida a prejudicar a abelha. E assim tem feito através do tempo.

Carlos Duarte
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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