Descobrindo o escritor Carlos Duarte


Este é um daqueles posts que demoraram a nascer. Tudo começou em Maio. Depois de vários meses e mails trocados, lá reuni todas as condições para vos dar a conhecer um escritor que vive do outro lado do atlântico.

Carlos Duarte contactou-me para falar do seu trabalho. Fomos trocando palavras, e à medida que os mails iam e vinham a minha curiosidade crescia e a vontade de partilhar este talento convosco tornava-se uma certeza.

E finalmente é chegado o momento em que vou brincar com as palavras e falar de alguém que tem nas palavras o seu material mais precioso.

Carlos Duarte nasceu em Malange (Angola), mas foi no Lobito que cresceu e amadureceu. Hoje vive no Brasil, porque consegue encontrar uma “similaridade de influências culturais” com Angola, no entanto, vai frequentemente ao país que o viu nascer porque, segundo afirma “é lá que está o meu cordão umbilical.” Portugal acaba por ser, também, um local que visita, sempre que pode. É por este país à beira mar plantado que os dois filhos do escritor vivem.

Desde sempre que Carlos foi um “leitor voraz” e pensa que essa poderá ter sido a razão pela qual a escrita surgiu tão naturalmente na sua vida. Com apenas 15 anos começou a publicar crónicas na página literária do jornal “O Lobito”, coordenada então, pelo Dr. Orlando Albuquerque.

Mas sobre o que escreve este senhor? Principalmente sobre a “cultura pura dos povos de Angola” e ainda adora misturar nas suas livros a ficção com a realidade.

“O primeiro a gente nunca esquece”, refere Carlos, provavelmente relembrando a experiência que foi escrever “Etnografia sobre os povos de Angola”. Para este homem de economia e finanças escrever é “uma ocupação lúdica; solitária (é o autor e o papel só)”, embora a diversão esteja lá, naturalmente. Dos 3 livros que tem editados, não consegue identificar aquele que mais gostou de escrever, “quem sabe o próximo”, diz. Neste momento tem dois livros para sair e seis na gaveta. E refere que está a escrever mais um, atulamente. É algo “compulsivo”.

Recentemente participou na FLIP - Feira de Livros Internacional de Paraty com o livro "Memórias e Aventuras de um Cabinde em Terras Brasiliensis", e confessa que foi uma experiência muito boa, “não apenas pela curiosidade gerada pelo caráter amoral e vida mirabolante” do personagem Chico Franque-  “nobre Cabinda aventureiro e vivaldino, culto e viajado, mercador de escravos e abolicionista, falastrão e desbocado, farrista a qualquer prova”, mas sobretudo porque no evento se realizou “uma mesa redonda”, entre a assistência, o autor e o editor da Chá de Caxinde “sobre Cultura Pura dos Povos de Angola, que durou 2 horas mais do que o previsto, e da qual saímos contentes. Sensação de bem-estar, de missão cumprida. Afinal a ideia primeira é a divulgação dessa cultura, (tão negligenciada), em todos os seus aspetos.” Este livro que gerou tanto interesse na FLIP vai ser adaptado ao cinema. O roteiro já está pronto, tem produtor e tudo parece estar bem encaminhado! Que assim seja!

Carlos Duarte tem alguns dos seus livros publicados em Portugal: “ A Primeira Travessia de África ou como os Pombeiros Pedro João Baptista e Amaro José atravessaram o Continente Africano” e “Albert Potgieter o Bôer ou Um Afrikânner no Rio Madeira”, ambões editados pela LunaArt à venda no site do Sítio do Livro. Mas se quiserem adquirir “Memórias e Aventuras de um Cabinda em Terras Brasiliensis ou a Vida de D. Francisco Franque, Primeiro Boma Zanei-N'vimba, por Doação de Batchi Nhongo, VIII Rei do N'Goio, Andando por Mares e Continentes Estranhos” Editado pela Chá de Caxinde, podem fazê-lo através do site: www.angola-shop.com

Não resisti e tive de perguntar ao Carlos qual o seu escritor português favorito, ao que ele me respondeu ”português, sem dúvida Saramago; de língua portuguesa também sem hesitar Jorge Amado. Nos dois casos pela capacidade de criar, de inventar.”

Gostava muito de ver o Carlos Duarte, um destes dias, numa sessão de autógrafos numa livraria perto de mim! Quem sabe se ainda o desafio a escrever uma crónica para o blogue…




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