Uma espécie de crónica



Informam-se os leitores que isto foi a minha tentativa de escrever uma crónica. Não pretendo tirar o protagonismo aos especialistas na matéria, aqui no blogue: Ana Brilha e Sílvio Kanda :) É mesmo uma tentativa...

O esquilo que trocou as voltas à turista



Esquilos. Sempre me fascinaram!
No ano passado, quando elegi Londres como a capital das minhas férias, sabia que me iria cruzar, vezes sem conta, com estes mamíferos roedores! Afinal, eles são uns habitantes londrinos privilegiados, que circulam livremente pelos muitos parques que esta cidade tem para nos oferecer.

Estava ansiosa para captar as mais diversas imagens destes esquilos britânicos, no auge da sua liberdade citadina! Estava certa que traria para casa dezenas de fotografias de esquilos no Saint James Park, esquilos no Green Park, esquilos no Hyde Park… Esquilos, esquilos, esquilos! Para mim era tão importante estar perto destes animais quanto da Torre de Londres! Mas as coisas não correram bem assim! Os londrinos deram tanta liberdade a estes pequenos mamíferos, que depois se julgam muito importantes e ainda gozam com os turistas! Passo a explicar.

Primeiro dia em Londres, um céu azul, livre de nuvens e o primeiro contacto com um esquilo. Estava no programa turístico uma visita a Saint Paul´s Cathedral. Mal chego ao jardim da Catedral, um esquilo atravessa-se à minha frente a fazer as mais loucas acrobacias. Saltava, encolhia-se, rastejava… o diabo a sete. Fiquei tão fascinada que nem tive ação para puxar da máquina e premir o botão. Ele expressava-se com uma tal liberdade e loucura teatral que parecia uma verdadeira performance. Quando finalmente saco a máquina da mala, sua excelência teve o descaramento de fugir. Tomou a liberdade de se retirar de cena. E eu pensei: - Este é primeiro de muitos -. Não me apoquentei. Como estava enganada!

Os dias passaram, livres de stress e da correria diária; Os dias passaram livremente sem relógio no pulso; Os dias passaram e foram muitos os passeios pela bonita Londres, livre de preconceitos; Os dias passaram SEM ESQUILOS!!!! Como é que era possível? Eles podem escolher a quem se mostrar! E decidiram: - Vamos lá fazer rabiar esta turista -.

Faltavam três dias para regressar a Lisboa. Fui almoçar a casa de um casal amigo, nos arredores de Londres. Durante a refeição, ao ar livre, comentei o facto de até à altura não ter captado, com a minha máquina, uma imagem de um esquilo em liberdade. Os meus amigos riram-se e em simultâneo apontaram para o muro do vizinho. Um esquilo olhava para nós. Era capaz de jurar que ele estava com um sorriso trocista. Puxo da máquina fotográfica e foi o tempo suficiente para ele dar um salto para o outro lado do muro! Era demais para mim! Mentalizei-me que, uma imagem de esquilos em liberdade seria algo que nunca iria fotografar na vida.

Último dia em Londres. Saí do hotel para um passeio. Estava satisfeita, com energias renovadas e preparada para o regresso. Antes de seguir para o aeroporto fiz um lanche num dos muitos parques de Londres. E quando me preparava para sair pensei: - Como era possível não ter fotografado um único esquilo?- Olho para o lado e estavam dois esquilos parados a fixar-me. Puxei da máquina, era a minha última oportunidade. Um fugiu, outro fez pose para a fotografia.

Já no avião pensei: - Aqueles esquilos infernizaram-me a vida! Mas fico tão feliz por serem livres -.


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