Enquanto isso... Do outro lado do Atlântico


Ditados e Provérbios

“Para um bom entendedor, meia palavra basta”. Eu sempre gostei de ditados e provérbios. Mas por quê? Primeiro, por sua contemporaneidade. Geralmente são frases e conselhos atemporais e que sempre serão atuais. Um ditado que minha avó usava, hoje eu digo para meu filho. Nem é possível sabermos como surgiram, ou quando, mas se alguns chegaram até nós é porque têm seu valor. 

Se pararmos para pensar, os ditados nada mais são do que os precursores do atualíssimo “Twitter”. Vejamos, são frases com poucos caracteres, que tem por objetivo nos trazerem informações relevantes e, apesar de simples, sábias. Bom, pelo menos os ditados são assim. 

Na maioria das vezes são versos com sentido conotativo, com dicas e conselhos muito úteis para nossa vida e representam, em muito, o pensamento de quem os fala. Se quero algo realmente difícil, eu sei que tentando com perseverança, ainda que demore, eu vou conseguir, pois, “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. A pessoa mais bem preparada sempre trará consigo alguma vantagem, pois, “em terra de cego, que tem um olho é rei”.  Embora não seja uma verdade absoluta, é uma grande verdade que “o que os olhos não veem o coração não sente”. 

Sempre existe um ditado para ilustrar alguma situação importante. “Deus ajuda a quem cedo madruga”. Quer coisa mais verdadeira e profunda. Quem madruga não é necessariamente aquele que acorda mais cedo, mas sim aquele que se prepara com antecedência e, em verdade, “acorda” para alguma situação que terá de enfrentar. Poderíamos dizer, Deus ajuda a quem se prepara com antecedência, ou ainda, a vida é melhor para quem se prepara para ela. 

E é interessante como todos os povo tem seus provérbios, ditados e sábios conselhos. Provérbios árabes: “Defeito que agrada o sultão, vira virtude”; “A repetição deixa sua marca até nas pedras”. Provérbios africanos: “Um provérbio é o cavalo que pode levar alguém rapidamente à descoberta de idéias”; “A união do rebanho obriga o leão a ir dormir com fome”. Provérbios japoneses: “A gente tropeça sempre nas pedras pequenas, porque as grandes a gente logo enxerga”; “Caia sete vezes, mas levante-se oito”. Provérbios brasileiros: “Cana na fazenda dá pinga; pinga na cidade dá cana”; “Ladrão endinheirado, não morre enforcado”. E por ai vão.

A pena é que nem sempre eles são entendidos. Os ditados são uma grande fonte de sabedoria popular e há um que diz: “A voz do povo é a voz de Deus”. E se é assim, vamos prestar mais atenção aos ditados e provérbios que ouvimos. Pode ser Deus falando conosco. 


Silvio Kanda
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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