Adriana Morais veio até ao Armazém de Ideias Ilimitada


    Adriana Morais | Sintra

Tive o prazer de conhecer o trabalho de Adriana Morais no ano passado, através do  "12.12.12". Ela foi a primeira fotojornalista do projeto a ter destaque no blogue. Lembro-me perfeitamente, estava de férias no Algarve e entre a praia e a piscina escrevi o post sobre a participação de Adriana Morais no "12.12.12". Trocámos alguns mails e senti logo uma empatia por ela e uma admiração pelo seu trabalho, que desde então tenho vindo a seguir através do seu site e do seu facebook.

Num destes dias pensei: "Vou mandar um mail à Adriana e dizer-lhe que gostava muito de escrever um post dedicado ao seu trabalho." Ainda bem que o fiz porque ela aceitou! E agora vocês podem ler, sentir e amar o trabalho desta excelente profissional! 

Adriana sempre gostou de comunicar através da imagem, não fosse filha de uma professora de história da arte, um professor de filosofia e de estética e neta de um avô materno ligado ao cinema de animação e banda desenhada. Estava-lhe no sangue! Na altura da faculdade experimentou várias áreas e foi então que teve a certeza que fotografar era o que queria fazer para o resto da  vida. 


Fotógrafa multifacetada, o seu trabalho abraça várias áreas, tais como fotografia de paisagens, fotografia empresarial, casamentos, fotojornalismo e animais (mas aos animais já lá vamos). Adriana refere que "como fotojornalista é necessário fazer um pouco de tudo - "Essa é a área que mais gosto de fazer e que mais me preenche. Também tenho um gosto muito especial por fotografia de casamentos, faço-o de uma forma diferente e dá-me muito prazer estar a captar imagens de um dos dias mais importantes e emotivos daquelas duas pessoas." 

Já sabem, se estão prestes a dar o nó, não procurem mais fotógrafos a Adriana Morais é a pessoa indicada para captar os momentos inesquecíveis do vosso casamento! 

   Adriana Morais | Casamento Sissi e Ricardo

Continuando...

Há pouco falei-vos que Adriana também fotografa animais. Trata-se de um projeto que tem em parceria com a antiga colega de faculdade, e também fotógrafa Lais Pereira. O "Olha o Passarinho!" surgiu quando as duas ainda estudavam. Perceberam que era um mercado em expansão e como ambas gostavam de fotografar animais avançaram para a frente com a ideia. E ainda bem, porque são muito procuradas para este tipo de trabalho. Até à data têm fotografado muitos cães e gatos, mas também já fotografaram porquinhos da índia, que no inicio da sessão não se sentiram muito confortáveis à frente da câmara! No entanto, as duas fotógrafas, ainda esperam fotografar  - "um animal de estimação fora do vulgar como por exemplo um furão, seria uma sessão muito interessante." Pessoal se tiverem um furão, contactem o "Olha o Passarinho".


   "Olha o Passarinho!"

Para Adriana "o retrato é uma das áreas mais difíceis da fotografia". Ela diz "é preciso uma colaboração da parte da pessoa que está a ser retratada e muitas vezes isso não acontece. É necessário uma empatia entre o fotógrafo e o fotografado e criar uma ligação com essa pessoa." 

Claro que não resisti a perguntar-lhe quem gostaria de fotografar. E a resposta dela foi muito diferente daquilo que eu esperava. Calculei que fosse escolher alguma individualidade atual, mas não. Adriana gostava de ter fotografado os Beatles, isto porque também gostava de os ter conhecido.  Para além disso, Adriana refere que "há uma fotografia lindíssima da Annie Leibovitz com o John Lenon e a Yoko Ono. É uma fotografia interessante pela fragilidade que os dois corpos representam, mas especialmente o corpo do John Lenon que poucos minutos depois morreu. Não sei exatamente porquê mas penso sempre em personagens e acontecimentos do passado e não na atualidade. Se existisse uma máquina do tempo, ia para o dia 25 de Abril de 1974 fotografar!" 

      Adriana Morais | Luís Pedro Nunes

A participação no projeto "12.12.12" pode não ter trazido a Adriana mais trabalho na área do fotojornalismo, mas ajudou-a e muito a desenvolver os seus projetos pessoais e principalmente, ensinou-a a "não desistir" e a  "ultrapassar barreiras que não estava à espera". Confessa que "fazer projetos dentro do fotojornalismo não é nada fácil. É preciso boas histórias que sejam esteticamente interessantes."

   Adriana Morais | 12.12.12 - Perto de duas dezenas crianças vivem no bairro, brincando todos             os dias entre os destroços da Mecânica Setubalense, com vista para o Sado e para Tróia. 

Na ótica da bisbilhotice, quis saber como era o dia de uma fotojornalista e ela contou-me que "é um mistério". Pareceu-me empolgante! Na verdade ela diz que "nunca se sabe para onde se vai e como e quando acaba o dia, mas ao mesmo tempo é viciante." Refere ainda que "conhecemos e temos acesso a locais que de outra forma não teríamos. Muitas vezes trabalho 12 horas e na altura parece que só passaram 5, só quando paramos de trabalhar é que o cansaço chega, é um trabalho que dá muita adrenalina." Adriana, revela muita paixão nestas palavras! E recorda uma história: "Lembro-me no meu estágio da Visão ter ido fotografar um evento de surf o Rip Curl Pro Peniche, não sabia nada sobre surf nem tinha nenhum gosto especial e no evento passei a ser fã e já torcia pelo Adriano de Souza na final!"

   Adriana Morais | Rip Curl Pro Peniche 2011


O seu último trabalho foi uma sessão promocional gratuita do "Olha O Passarinho!" no Hospital do Gato. E foram muitos os candidatos para a fotografia: "apareceu-nos de tudo, uma gatinha bebé, um gato de 15 anos e até uma senhora com oito gatos." Na mesma semana fez uma sessão com uma grávida e o marido,  e confessa que foi bastante divertido. Apesar de a grávida estar de 8 meses, aventuraram-se em situações diferentes num dia em que a luz "estava especialmente bonita". Adriana conta fotografar mais tarde o bebé. "É muito estimulante entrarmos na vida das pessoas através da nossa profissão e sermos as contadoras de histórias da sua vida. De certa maneira, sinto que estou a ajudar a preservar as suas memórias."

                            Adriana Morais | Sessão de grávida da Vanda

E mais uma vez confirma-se a teoria de que os fotógrafos não gostam de ser fotografados! Adriana não é exceção - "Das raras vezes que estou a ser fotografada, lembro-me das pessoas que fotografo e (apenas) nessa altura fico com muita pena delas. Penso no horror de tempo que as faço sofrer, parece que aqueles minutos nunca mais acabam. Mas depende sempre muito da relação que se estabelece com o modelo. Quando fotografo alguém, tento sempre que a pessoa se solte e descontraia, ficamos todos a ganhar."

Como o seu material fotográfico é pesado e precioso, tem um novo amigo que a acompanha sempre, o seu iPhone. Ainda assim adora fazer passeios com a sua máquina fotográfica. Ela diz que lhe faz muita companhia e é uma boa desculpa para conversas com as pessoas que não conhece. "Quando faço grandes viagens é um objeto obrigatório. As pessoas que passeiam comigo, como o meu namorado, é que sofrem muito!" E aqui devo dizer que concordo com a Adriana, eu ando sempre com a minha modesta máquina fotográfica atrás e há quem já não aguente a minha fixação em fotografar tudo! 

E para fim de conversa quis saber quais os planos futuros da Adriana. Ela confessou que adoraria trabalhar numa redação  - "fazer fotojornalismo todos os dias e não apenas como freelancer. Mas gostava de continuar a fazer casamentos, as sessões a grávidas, bebés e famílias, que são muito especiais."


Bom, eu já me casei, não estou grávida, não tenho bebés  nem animais de estimação... mas podes sempre fazer o meu retrato! ;)

Quero agradecer muito à Adriana  o facto de ter disponibilizado o seu tempo para "vir até ao Armazém"... talentos assim têm de ser comunicados ao mundo! 

E agora deixo aqui mais umas imagens captadas pelo olhar perspicaz e criativo de Adriana Morais.

    Adriana Morais | Açores

   Adriana Morais | Casamento Cláudia e Ricardo
 
    "Olha o Passarinho"

    "Olha o Passarinho"


    "Olha o Passarinho"


    Adriana Morais | Joana

 Adriana Morais | 12.12.12 - A Melissa chegou à Mecânica Setubalense há 2 anos. A casa ainda não está construída e vive com a família numa única divisão.

Adriana Morias |  12.12.12- Joaquim vivia numa casa arrendada. Há dois anos foi obrigado a abandoná-la e a construir a sua própria casa, nas ruínas da Mecânica Setubalense. Trabalhava na construção civil. Hoje não consegue arranjar trabalho e não recebe nenhum subsídio.

   Adriana Morais | Moda Lisboa 2012

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