Enquanto isso... do outro lado do Atlântico


A lição que fica.


Uma vez, em uma aula de cálculo vetorial, no primeiro ano de minha graduação em engenharia, um mestre nos explicava uma equação muito complicada, que tratava de alguma coisa relativa ao deslocamento de corpos no espaço. 

Há uma certa altura ele fez uma série de colocações, as quais não me lembro, mas encerrou com uma pergunta reveladora que, apesar d’eu ouvi-la e guardá-la, demorei a realmente entendê-la: “Seria possível um homem ir da Terra à Lua em um minuto?” 

O que se seguiu foi um sonoro “não”, respondido em coro, pelo menos por aqueles que estavam prestando atenção ao que era explicado. A pergunta era boba e a resposta óbvia, pois, pela nossa lógica, tal coisa era, e continua sendo, impossível. 

Mas, para surpresa de todos, fomos corrigidos. E corrigidos com uma resposta muito singela: “Vocês estão enganados. Há coisas que podem ser improváveis, mas nada é impossível”. Isso nunca mais saiu de minha cabeça e foi uma das grandes lições que aprendi na escola. 

Não me lembro da reação dos colegas, mas me lembro bem de ter sorrido e concordado, percebendo o quanto eu nada sabia. E isso é uma grande verdade. O que era impossível ontem, hoje é corriqueiro. No começo do século jamais se acreditaria que o homem chegaria à Lua. Hoje, isso já faz mais de trinta anos. Se estivéssemos no século XVI e alguém perguntasse se seria possível viajarmos da Europa à América em menos de um dia, a resposta também seria um grande e sonoro “não”. 

Mas vejam como são as coisas: hoje, isso não causa mais estranheza a ninguém. A teoria fica comprovada. E foi sempre assim. Desde os primeiros passos do ser humano sobre a Terra ele vem superando seus desafios e transformando o impossível em realidade, basta o homem se dispor a tentar. Pode ser um caminho longo e difícil, mas se ele acreditar que pode, ele consegue. Isso é um grande mérito do ser humano e nos faz acreditar que coisas impossíveis ainda vão acontecer. 

E isso se aplica a tudo, inclusive a sua própria vida. Quem sabe um dia não haverá mais guerras, quem sabe um dia não haverá mais fome, quem sabe um dia todos os habitantes do planeta serão irmãos. Posso estar sendo muito otimista, pois pode ser que não haja tempo mais para isso, mas se você tiver em mente que nada é impossível, sempre haverá esperança. Agora fico pensando comigo: será que alguém vai ler essa crônica e vai gostar? Será que vou conseguir fazer alguém pensar sobre o assunto? Será que isso vai fazer diferença para alguma pessoa? Bem, aí eu mesmo respondo: pode ser muito improvável, mas nada é impossível. A lição que fica é: tenha fé.     

Silvio Kanda
(esta crónica é escrita em português do Brasil) 

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