Enquanto isso... do outro lado do Atlântico



O álbum de fotografias

Outro dia eu encontrei, em casa do meu irmão, nosso antigo álbum de fotografias da família. Muito legal. Fotos realmente antigas onde até meus bisavós, por parte de minha mãe, ficaram registrados.

Acho que o início dessa história se deu nos anos 40, pois minha mãe nasceu em 42 e há fotos dela ainda bem pequena, e deve ter terminado pelos anos 70, com fotos minhas e de meu irmão, também pequenos. É engraçado como além das recordações trazidas pelas fotos, o álbum em si traz recordações por sua própria existência. 

Era um momento gostoso quando eu pegava aquele livro grosso, com o desenho de um barco a velas na capa dura, páginas cinzas e fotos coladas, que ficava guardado no fundo de uma das gavetas da cômoda de minha mãe, e ia para a sala de casa, junto de meus pais, ver as fotos.

Talvez fosse coisa de criança, ver repetidamente algo de que gosta, mas todas as vezes eu tinha curiosidade e queria saber quem eram algumas daquelas pessoas, onde elas estavam e o que estavam fazendo naquele momento. De algumas pessoas eu me lembro, pois também fiz parte daquela história, mas algumas nem cheguei a conhecer.

Ainda tenho a felicidade de poder conviver com alguns daquele álbum, como meus tios e primos, mas de outros só me resta a saudade. O álbum tinha outra coisa de legal. Podia ser mostrado a todo mundo, a qualquer hora. Sempre havia um tio, uma tia avó, ou um primo de minha mãe, que ficava surpreso ao ver-se naquele álbum e isso era o ponto alto da festa. 

Mais de trinta anos de história em poucas fotos. Que contraste com os dias de hoje. Sequer temos álbum de fotos. Eu, apesar de realmente não ter um álbum, tenho ainda minha caixinha de fotos, onde guardo algumas boas e velhas recordações.

Mas a magia do álbum de fotos está se perdendo. Com a era digital e a banalização da fotografia, ninguém mais monta álbuns de fotos. São tantas as fotos tiradas em cada viagem, em cada festa, que não sabemos nem qual escolher para representar o que aquele momento tão especial significava.

Alguns podem estar pensando: mas e os álbuns digitais nas redes sociais? Nunca serão a mesma coisa. Você não posta tudo que realmente é importante e muitos momentos ficam perdidos. Sem contar que nem sempre as fotos estão à mão para todos poderem ver.

Mas, voltando ao velho álbum, imagine a dificuldade que era produzir uma fotografia. Primeiramente a máquina. Não era qualquer pessoa que possuía uma máquina portátil, depois, havia o próprio custo do filme e da revelação, assim, existia todo um ritual para a produção de uma foto. Muitas delas eram tiradas em estúdios, por fotógrafos profissionais, e era uma ocasião toda especial reunir-se a família para o evento. Talvez daí o maior valor dado aos álbuns antigamente. 

Há fotos muito bonitas em nosso álbum. Há uma na qual toda a minha família de meu pai foi a um estúdio. Todos os homens com seus melhores ternos, as esposas com os melhores vestidos e as crianças todas arrumadinhas e com os cabelos penteados.Memorável momento de nossas vidas, que graças ao nosso álbum eu posso resgatar para toda a minha vida. 

Outro dia eu encontrei, em casa do meu irmão, nosso antigo álbum de fotografias da família.  Levei-o à casa de minha mãe. Sentamos à sala e eu, curioso, perguntava a ela quem eram algumas daquelas pessoas, onde estavam e  o que estavam fazendo naquele momento...

Silvio Kanda
(esta crónica é escrita em português do Brasil)  

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