Viriato e Almourol


Pois bem, ainda que o cansaço que sinto hoje seja o dobro do que sentia ontem (isto não está fácil), ainda assim acho que me encontro em condições de vos contar como foi este meu domingo histórico em Almourol. 

Há muito, muito tempo... que eu queria visitar este Castelo, cujas origens por serem tão antigas, se tornam misteriosas. Mas depois, o tempo foi passando, outros castelos entraram na minha vida e Almourol foi ficando para trás, mas nunca esquecido. 

Agora percebo porque não o visitei antes. Tudo se conjugou para que a visita ao Castelo, que em tempos pertenceu aos Templários, fosse agora, precisamente no mesmo dia em que as "Fatias de Cá" promoviam o espetáculo "Viriato", baseado na obra "A Voz dos Deuses" de João de Aguiar. 
Perfeito! 

Às 11h30 já estávamos na estrada rumo a Vila Nova da Barquinha, com muito entusiasmo à flor da pele e uma ansiedade de explorar o Castelo, cuja edificação, tal como a conhecemos hoje, remonta a 1171. Mas a ansiedade não viajava sozinha, a curiosidade também teve lugar no nosso carro, sobretudo porque não fazíamos ideia de como seria esta recriação histórica que teria lugar junto ao Castelo e que nos iria retratar um episódio de guerra na península Ibérica com o grande comandante dos Lusitanos na dianteira - Viriato - que se tornou no pesadelo de Roma. Sempre tivemos na nossa história grandes Homens. Por onde andam eles agora?

Chegados ao local a fome aperta e depois de uma tentativa de almoço frustrada, em Vila Nova da Barquinha, nada como uma bifana no pão, tendo como vista o Castelo e umas quantas ameaçadoras nuvens negras. Depois do café, acompanhado por uma tigelada e por entre alguns pingos que teimavam em cair, corremos em direção ao barco, que navegando pelo Tejo nos levou à ilha escarpada onde finalmente pudemos explorar o Castelo de Almourol. A vista do Tejo é arrebatadora. Já em terra e fugindo à chuva que teimava em cair, avançámos para o interior das muralhas. É difícil descrever em palavras o que se sente, num misto de encanto, de respeito, de admiração e curiosidade. Curiosidade essa que nos leva à Torre de Menagem e nos faz subir os degraus das escadas de madeira, ao longo dos três pisos, para que nos possamos deslumbrar com a vista que as reentrâncias nas pedras no oferecem. Eu como já estou perita em subir degraus (depois da aventura em Saint Paul's Cathedral... 500 degraus, lembram-se?), tomei a dianteira e subi o último lance de escadas (muito estreito), para descobrir que a porta que nos dava acesso ao topo da torre estava fechada! 

Este Castelo que fez parte dos 21 finalistas da eleição das 7 Maravilhas de Portugal, é admirável, quer pelo ambiente natural que o rodeia, quer pelas lendas que guarda nas sua muralhas e histórias de assombrações. Tudo ali nos fascina e nos dá vontade de ficar.... mas o barqueiro espera-nos na margem porque o espetáculo está prestes a começar, por isso demos corda aos sapatos e atravessámos de novo a margem.

De bilhetes na mão estamos prontos para nos sentarmos e assistirmos a "Viritato", sabendo que lá pelo meio da recriação histórica entraremos nós em cena para participarmos no banquete do casamento de Viriato. 

Muitos atores em cena, cavalos, tochas, efeitos maravilhosos quando a noite cai, muita vontade de fazer tudo bem feito, muita vontade de receber aquele aplauso sentido no final do espetáculo.

E sob a luz da lua, um último olhar para a Torre de Menagem do Castelo, na expectativa de ver o fantasma de D. Beatriz e do seu Moiro... mas não vislumbrei nada, afinal não era noite de lua cheia.

E com isto estava na hora de regressar a Lisboa e voltar a entrar no século XXI.
























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