Abadia de Westminster - o templo da coroação



Ontem prometi mais um post sobre a minha viagem a Londres! E aqui está ele! Um dos momentos altos da minha estadia nesta cidade, que nunca dorme, foi a visita à Abadia de Westminster e por isso tem direito a crónica "Best Of".


Ora, aqui a vossa amiga, fã de locais com anos e anos de existência (quanto mais antigo melhor), não iria deixar passar ao lado a oportunidade de conhecer esta abadia que foi fundada no século X! Mas, para além de este já ser um grande feito, a igreja tem sido desde 1066 o local de coroação da nação! O primeiro a ser coroado foi Guilherme o Conquistador, e a última (até à data) a Rainha Isabel II. A cadeira onde suas altezas reais se sentam em frente ao altar-mor aquando da cerimónia mais importante das suas vidas, está lá, para quem a quiser ver. Porque sentar, só mesmo quem tem sangue azul a correr na veias e, por direito, tem acesso a tão grande honra e responsabilidade. Tudo isto nos passa um pouco ao lado porque o nosso país é uma república, mas acaba por ser uma cerimónia muito interessante. Assisti (já não me recordo onde) a um excerto do filme da coroação de Isabel II e todo o ritual tem o seu quê de glamour e imponência.

Para além desta cerimónia importantíssima, este templo religioso, também já foi palco de momentos que ficaram para sempre gravados na sua história e na memória dos ingleses: em 1920 o Soldado Desconhecido foi sepultado na abadia (representante de todos os soldados britânicos mortos na 1ª guerra mundial); em 1997 recebeu o funeral de Diana, Princesa de Gales e em 2002 o funeral da Rainha-mãe; já em 2011, o momento foi de alegria e celebração, com o casamento de Suas Altezas Reais, o Duque e a Duquesa de Cambridge (William e Kate).

Mas a Abadia de Westminster é muito mais do que acontecimentos históricos! E tudo isso foi-me dado a conhecer através do áudio guia em português! Well done! Exemplo a seguir por todos os monumentos que por esse mundo fora ainda não têm áudio guias na nossa língua! É que desta forma compreendemos o local e a nossa visita tem muito mais significado, torna-se rica e traz-nos mais saber.

O espaço é riquíssimo, trata-se de um exemplo admirável da arquitetura medieval em grande escala e para mim torna-se difícil de eleger um espaço que tenha gostado mais, embora a Lady Chapel tenha produzido um arrepio na espinha. Lady Chapel foi considerada em 1545, por John Leland  (poeta e antiquário), "a maravilha do mundo interior" (está explicado o porquê do meu encantamento pelo espaço). Logo à entrada sou surpreendida por uns portões de bronze com os brasões dos Tudor, depois é só levantar a cabeça e colar o olhar no teto abobadado em leque, uma visão divina! Por aqui encontramos túmulos de ilustres, como o de Henrique VII e da sua rainha Elizabeth de York. E por aqui, também, divagamos o olhar pelas bandeiras heráldicas dos cavaleiros da Ordem de Bath.

Apesar desta minha preferência, Westminster é por si só um conjunto harmonioso de muitas maravilhas: a Nave, com os seus 32 metros; o Coro e o seu órgão; o Canto dos Poetas, que relembra os grandes da literatura como Shakespeare e Dickens, os claustros e, claro está... least but not last - o túmulo de Isabel I, a rainha protestante (filha de Henrique VIII e de Ana Bolena). Pois tenho que dizer que foi um momento emocionante da minha visita. Como sabem sou fascinada pelos Tudor e portanto, para não fugir à regra, a história desta senhora sempre me encantou. Como tal, estar próxima do seu túmulo foi uma honra para mim. Podem achar que é lamechas, mas existem personagens da história que admiro pelo seu caráter e obra feita e Elizabeth I, ou a Rainha Virgem, se preferirem, foi uma dessas personagens, a grande protagonista da Era Dourada

E sabem o que também me encantou? Perceber, a determinada altura da minha visita, que a Abadia de Westminster é totalmente auto financiada. Para isso contribuiu, em muito, o valor do bilhete que entreguei à entrada (cerca de 20€). Mas há coisas que valem todos os cêntimos que saem da nossa carteira, porque se transformam em conhecimento e em momentos que se perpetuarão ao longo das nossas vidas! 










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