12.12.12 - Parte II

    Foto de Adriana Morais

Mesmo em solo Algarvio, entre um banho de praia e um banho de piscina, ainda há tempo para voltarmos ao assunto 12.12.12

Durante as próximas semanas vou apresentar-vos os fotógrafos e as fotografias por detrás deste grande projeto. E começo com Adriana Morais.

Lisboeta, nascida na década de 80, início da idade da informação, licenciou-se em Belas Artes e tirou o Curso de Fotografia no Instituto Português de Fotografia. Profissionalmente trabalha em regime de freelancer com trabalhos publicados na revista Visão, Jornal de Letras e revista Le Cool e já expôs o seu trabalho em Galerias como a Geraldas da Silva ou a Érre-Vê.

Adriana Morais é uma jovem fotojornalista que entrou no mercado de trabalho no mesmo ano em que o FMI chegou a Portugal, e para ela é uma oportunidade única. “É fantástico poder trabalhar durante 12 meses com fotógrafos com tanta qualidade e aprender com eles. Deram-me a hipótese de, não só mostrar o meu trabalho, como ajudar a retratar uma das mais graves crises económicas desde o 25 de abril.”
Em 12.12.12, Adriana divide o seu trabalho entre os distritos de Lisboa e Setúbal.
Em Lisboa a fotojornalista está a trabalhar o tema da contestação social, “naquele que é um ano preenchido com manifestações e protestos”. No ano em que o desemprego atingiu máximos históricos e os portugueses perderam muitos dos seus direitos sociais, saiu-se para a rua e mostrou-se o descontentamento geral: “Os médicos organizaram a maior manifestação de sempre da sua classe, houve novos protestos de professores, muitas greves nos transportes, os bolseiros de investigação científica exigiram que lhes paguem a tempo, a recolha de lixo foi interrompida e houve até manifestações semanais pela demissão de um ministro. Para outubro, já está marcada uma marcha nacional contra o desemprego” e provavelmente Adriana estará lá para captar estes instantes marcantes do nosso país.
No distrito de Setúbal - um dos distritos mais afetados pelo desemprego e pela degradação social, Adriana acompanha “casos de pessoas e famílias apanhadas de surpresa pela violência da crise económica e que vivem agora na pobreza.” Em paralelo a fotojornalista está interessada “em observar os mecanismos de solidariedade que, apesar da crise, continuam a funcionar, sendo um apoio decisivo nas zonas mais carenciadas do distrito.”

Aos 12 fotógrafos, deste projecto, vou pedir que identifiquem numa palavra o que representa para eles o projeto 12.12.12.
Para a Adriana a palavra é “Oportunidade”.



Legenda da Fotografia: 

Os avanços das políticas de austeridade em 2012 refletiram-se num aumento da contestação social e em reacções mais agressivas por parte da polícia. Numa manifestação anti-autoridade em Lisboa, os agentes fizeram todos os esforços para impedir que o protesto fosse fotografado, acabando por prender uma manifestante, cujo único crime era estar com uma máquina na mão.

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