Novo Ano: Tudo muda! Ou talvez não… - Crónicas da Brilha


A escassos dias do início de uma das mais antigas convenções do mundo, seria de esperar que o ambiente festivo de um novo ano que se inicia trouxesse consigo o realizar de todas as promessas, de todos os anseios e que o rebrilhar dessa recém-nascida esperança, mais intemporal que os mistérios de todas as religiões,  se cumprisse numa apoteose que não deixasse pedra sobre pedra.

Pois bem, nada mais utópico.

Depois de toda a crença e superstição, resoluções e projectos, deixámos de conseguir analisar esse quotidiano com o distanciamento do alpinista que estuda a montanha antes de a escalar. Deixámo-nos enredar novamente nas rotinas, sejam outras ou as mesmas, e esquecemo-nos que a vida inteira se faz de uma infinda sucessão de instantes, de decisões que vamos acumulando e que não é nunca impermanente, não é nunca um produto
acabado.
Colocamos demasiada esperança na distância, no que há-de ou não ser, ao invés de seguirmos viagem e de a vivermos como ela é. Condenamo-nos a viver fora do presente, quando ele é o único momento em que se vive.

Deixemo-nos de escusadas considerações. Ano novo ou não, seja ele europeu ou asiático, o que verdadeiramente importa são os gestos exteriores e internos com que acolhemos o que a vida nos dá ou lutamos por aquilo que é importante para nós.
Construir é a palavra-passe da verdadeira mudança e, para isso, precisamos de bases mais sólidas do que projectos vagos que se constroem sobre um copo de champanhe.

Mais do que a magia do virar de mais uma página do calendário, é a alquimia que se pode passar dentro de nós quando queremos, verdadeiramente, algo na nossa vida.

O segredo é simples, e dos seus ingredientes não consta a viragem do ano: querer, projectar e agir de acordo.
Ana Brilha

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