Crónicas da Brilha

Já com Itália no pensamento e as malas à porta, deixo-vos aqui as "Crónicas da Brilha". Ela que de férias, nos fez um relato poético dos seus dias por terras do Gerês :) Ci vediamo presto!



A estrada estende-se à nossa frente como um tapete interminável que se vai desenrolando. Anuncia-se já o cansaço próximo da chegada.


Do topo da Ermida vê-se o recortado da serra e a profundidade do vale, verde e cinza forte. Quase não há vento e o sorriso das pessoas enquanto nos dizem adeus dá algum calor ao agreste da paisagem.


Algures, longe de olhares indiscretos, ouve-se a àgua cantar por entre as pedras lisas e um melro espreita curioso a nossa passagem.

Depois da sombra frondosa da mata que quase escurece o dia, e já de alma verde, chegam-se às cascatas que nos trocam a cor por outra que não sabemos bem definir. Cada recanto um desafio, uma surpresa.

Para os mais afoitos, é ingreme o caminho que leva à última cascata, mas depois do calor sabe bem molhar os pés na água fria. Basta uma distração e, se não tivermos cuidado, podemos ainda levar na mala um visitante arrojado, um lagarto de água verde e azul que nos espreita, mais curioso que assustado.

No topo da estrada, quase ao final da geira, antiga via romana que ligava bracara augusta a asturica augusta, percebemos que vimos só ao de leve os cerca de 30 km de magia em que o tempo parece ter adormecido aos nossos pés.

No último dia, um passeio a cavalo pelo pinhal, saindo da Quinta do Fijó nos Arcos, sob os cuidados atentos do Sr. Carlos e cujo sucesso devemos também à serenidade da Estrelinha e à arisca Luna.

Ficou-me a vontade de regressar: O sorriso da D. Maria do Lugar da Assureira, os trilhos por desbravar porque o tempo não chega para tudo, o sabor do pão com manteiga de uma infância há muito esquecida e a paisagem, até onde a vista alcança, a lembrar-nos o quanto somos pequenos e fugazes.

Ana Brilha

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