"O Rumo das Linhas Inúteis"



"A todos já nos aconteceu desenhar linhas sobre papel. Linhas inúteis, sem sentido nem forma. E linhas cheias de um desejo sem nome. O rumo das linhas inúteis um dos mais antigos mistérios humanos que nos separa de uma existência meramente animal (...). Esta exposição desenha-se entre o útil e o inútil. Sendo que por vezes o útil é apenas fugaz e o inútil permanece para sempre. Às vezes nada aparece inútil."


Tamara Andrade e Célia Barros são as artistas que participam nesta exposição, pertencente a uma série de exposições de arte contemporânea que inaugura a 20 de Agosto... No Brasil, em São José dos Campos :)


Bom mas o Armazém de Ideias Ilimitada aceitou o desafio que a artista Célia Barros lançou:
Se tivesse apenas uma chance qual seria a pergunta que faria a um artista?

Ao qual o Armazém respondeu... com a tal pergunta:
Se fosses uma tela, quem gostarias que te pintasse? E porquê?


As artistas Célia Barros e Tamara Andrade responderam, e muito bem :)

CÉLIA - Posso pensar que sou uma tela, se pensar que a arte está na vida e ver o meu corpo presente como uma obra de arte, mas isso tornaria as coisas muito passivas para o meu lado. Seria levada a pensar que Deus é o artista, ou as energias, ou qualquer outro ente metafísico. Sou muito pragmática e tendo a achar que a arte está na terra e é um conceito inventado a certa altura, que se transforma em todos os momentos. O artista é aquele que se propõe a fazer. Passar para o lado de dentro. Passar a ser o objeto, não é uma ideia que me apraz, uma vez que prefiro agir para transformar.

TAMARA - Gostaria de ser uma tela para que Cèzanne pintasse em mim uma de suas paisagens. Na verdade, há uns quatro anos atrás, eu li alguns textos sobre ele e acabei formando a impressão de que ele privilegiava locais em que não precisasse incluir seres humanos.(Privilégio que eu buscava no meu próprio trabalho).
Aliás, até as pessoas que ele pintava me pareceram apagadas de expressões humanas.
No entanto, fui atraída pela atmosfera dos quadros tomada por forças que estruturavam todos os elementos. Difícil haver uma sombra gradual entre eles. Os quadros eram feitos de oposições entre as coisas para que deste conflito resultasse uma harmonização por estas forças. Ele colocava elementos dissonantes num mesmo quadro para que da convivência dramática pudesse surgir ao menos uma pacificação.

Eu imaginava estar diante de uma cena de teatro!
Gostaria de ser uma tela para, na verdade, fazer parte da dinâmica da cena de um drama existencial que Cèzanne soube muito bem revelar.

Ficaram curiosos/as? Saibam mais em: http://www.orumodaslinhasinuteis.blogspot.com/



Rosária Casquinha Silva

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