Saber ler as "árvores". Exposição Célia Barros





No passado dia 22 de Janeiro o Armazém deslocou-se à Livraria Fábrica Braço de Prata (Lisboa) para admirar uma exposição no mínimo curiosa, quer pela forma de expor as obras de arte, quer pelas obras de arte em si. Passo a explicar: a artista Célia Barros (já mencionada neste blog), desta feita, brinda-nos com uma "enciclopédia" de livros em madeira. Cada um com seu conceito e dizeres, através de uma literacia escultural, cuja interpretação e sensação é sentida de forma diferente de pessoa para pessoa.

Esta matéria prima quente (madeira) que deu origem à criatividade de Célia, surgiu de uma forma natural, embora propositada. Certa vez Célia decide aventurar-se para "o meio do nada", rumo ao into the wild, obrigando-a a olhar em seu redor e desvendar algo que a incentivasse a criar algo de novo, algo do nada, algo diferente. Olhou, observou, tocou e percebeu que a madeira das árvores seria o mote para uma nova forma de expressão artística. Começou a esculpi-la e dar-lhe formas. Mais tarde surgiu a ideia de unir duas a duas as peças que se iam formando e assim ganharam a forma de livro.

Quando entrei na sala e contemplei aquelas estantes até ao tecto "carregadas de títulos" questionei-me se teria entrado na sala certa, pois não vi desde logo as Obras de Célia. Entretanto fui-me apercebendo que entre aquela panóplia de livros, encontravam-se outros mais robustos de cor e cheiro diferente. Aproximei-me de um deles, tirei-o da prateleira, abri-o e li as suas páginas através do toque. Que experiência. Para além da visão que nos é indispensável à leitura de um "vulgar" livro, este acrescenta o tacto. Que sensação!

A partir desse momento cresceu em mim a ânsia de procurar todos os livros acastanhados que ali se encontravam misturados com resmas de papel e abri-los, fazendo uma leitura pessoal e espontânea.

Aconselho a todos a visitarem esta "experiência". Podem fazê-lo até dia 22 de Março. Vão ver que vale a pena e talvez como eu, chegarão à conclusão que as árvores são o que de mais sábio existe na Natureza, pois é a partir da madeira que o papel é produzido dando-nos a possibilidade de instruirmos a nossa vida com letras, palavras e conceitos. Mas se não quisermos ir tão longe e transformar os troncos dessas mesmas árvores em finas folhas brancas de papel, elas dar-nos-ão na mesma paginas inteiras para lermos e decifrarmos. A Célia "dá só uma mãozinha" (literalmente).
Alexandra da Silva

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